Ministro dos Transportes susta 60 obras no valor de R$ 5 bi

O ministro dos Transportes, Anderson Adauto Pereira (PL), suspendeu nesta terça-feira as primeiras 29 licitações de obras e serviços em rodovias federais e portos de diversos Estados. A principal obra sustada foi a duplicação da BR-101, a chamada Rodovia do Mercosul, cujo valor estimado é de R$ 3,2 bilhões e gerou uma grita dos governadores dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.O ministro tinha pressa na assinatura do ato porque essa era uma licitação internacional e o prazo para entrega de propostas vencia nesta terça. ?Vamos parar tudo até que a gente possa ver exatamente o que está acontecendo em cada licitação?, declarou o ministro ao Estado.E explicou: ?Não sei onde tem ou não problema de corrupção, ou se tem. Não me cabe dizer isso. Mas vocês sempre disseram que tinha e eu não posso deixar isso continuar assim. Tenho de averiguar.? Para o ministro, ?a questão é moral?.Por isso, disse, chamou o Exército para ajudá-lo na fiscalização. ?O processo hoje existente de verificação não é confiável, tudo é terceirizado.?Nos próximos dias, o ministro assinará novos avisos de suspensão de licitação.No total, cerca de 60 obras terão suas programações de obras sustadas, envolvendo R$ 5 bilhões. A construção das avenidas perimetrais do porto de Santos, estimado de R$ 323 milhões, estará nas próximas listas.SuspensõesNo lote publicado nesta terça no Diário Oficial da União foi suspensa também a duplicação e restauração da BR-493, entre Manilha (RJ), no entroncamento da BR-116, obra estimada em R$ 162 milhões. Na relação estão também os serviços de conservação da BR-010 no Pará, com custo de R$ 148,75 milhões; as obras de ampliação, recuperação e reforma do porto de Paranaguá, no Paraná, orçadas em R$ 190 milhões; e os R$ 66,2 milhões para a desobstrução do canal do Rio Tietê.Além das licitações em rodovias e portos também foram suspensas licitações para contratação de assessoria técnica, consultoria sobre multas e supervisão de obras de restauração.Para o ministro, o mais importante agora é ?moralizar todo o processo?. Sobre as empresas de construção de estradas que anunciaram que 200 mil empregos estão ameaçados pela suspensão das obras, o ministro afirmou: ?Eu vou me preocupar com relação a empregos e estradas no momento imediatamente após eu receber um relato sobre cada uma delas?.E questionou: ?Como é que eu autorizo o início de construção de uma estrada, se sei que não existe uma fiscalïzação na ponta ou que a fiscalização que possa existir não é confiável??Ele ressaltou ainda que não sabe se ?de forma liberada ou deliberada, o DNIT (Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes) acabou com o processo de fiscalização?.RespostaO DNIT, em nota oficial, ressaltou a capacidade técnica do órgão e disse que os preconceitos relativos ao antigo DNER não podem ser transferidos ao DNIT, seu sucessor. O ministério, por sua vez. Rebateu que ?este governo não tem compromisso com o passado conturbado da administração recente do órgão? e que o uso das Forças Armadas nesta área ?é inédito?.A nota do DNIT é assinada por cinco diretores do órgão, que já tiveram suas demissões anunciadas nesta segunda-feira pelo ministro. O novo diretor interino poderá ser anunciado até o fim da semana, tendo em vista a disputa política que se estabeleceu entre as duas instâncias. Os diretores que assinam a nota lembram que na primeira reunião que tiveram com o ministro ouviram dele que ?cumpria determinação da Presidência?.Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e os ministériosVeja o índice de notícias sobre a transição nos Ministérios

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.