Ministro não quer afastar acusados do caso Trevi

O ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, disse ontem que não vê motivos para afastar de seus cargos o superintendente da Polícia Federal (PF) no Distrito Federal, Francisco Moura Velho, e o agente Marcos Edilson do Rego Bandeira, acusados por uma ex-companheira de cela da cantora mexicana Gloria Trevi de manter relação com a artista, grávida de sete meses. "Se a presa não faz sexo, não tem direito a telefone, fax e comida boa", afirmou ontem ao Estado a acusada de tráfico de drogas Roberta Menuzzo, que conviveu com Glória durante dois meses na carceragem da PF.Apesar da denúncia de Roberta, o ministro deu demonstrações de não acreditar na versão. "São todos profissionais respeitáveis e corretos e não há necessidade, nem sentido, em afastá-los por causado disso", declarou o ministro. "Está tudo sendo investigado", avisou. Roberta afirma que soube pela própria Gloria das supostas relações sexuais com Moura e Bandeira. "Eles não usavam camisinha pois ela queria ter um filho para tentar ficar no Brasil?, contou, acrescentando que durante sua estadia na PF presenciou a cantora fazendo dois exames de gravidez na cela, que teriam sido comprados por um agente. "O primeiro foi em setembro de 2000 e o segundo no mês seguinte, mas os dois deram negativo", conta Roberta.Questionada se a cantora não tinha medo de contrair aids, a ex-companheira de cela afirmou: "A vontade dela de ficar no país era maior do que o medo da aids." Sobre a ex-secretária de Gloria, Maria Raquenel, a Mary Boquitas, que também está presa em Brasília, Roberta afirmou que ela era "mais fechada, não contava se estava mantendo relações sexuais". Uma pessoa ligada a Gloria e a Maria Raquenel confirmou que as duas foram forçadas a manter relações sexuais com policiais.Diante da divulgação das supostas relações sexuais entre Gloria e policiais, Aloysio Nunes lembrou ontem que há um inquérito em andamento, sendo acompanhado pelo Ministério Público Federal e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), aberto a pedido do próprio diretor da Polícia Federal, Agílio Monteiro, no início da semana passada. "O que nos interessa é a apuração ampla e completa de todo esse episódio, e tudo será feito com a maior transparência", declarou o ministro, preferindo não dar mais informações sobre o caso, sob a alegação de que está aguardando o final dessas investigações.Aloysio garante que não está sendo pressionado para apresentar uma solução para o caso e insiste que é preciso esperar a conclusão dos trabalhos. O ex-ministro da Justiça José Gregori, por sua vez, esclarece que fez o que era possível enquanto esteve à frente do Ministério e que não concluiu as investigações porque "não deu tempo". Gregori lembrou que o fato de a cantora não contar a verdade e se negar a dar explicações sobre o ocorrido dificulta as investigações.Na PF, tanto o delegado quanto os dois agentes federais já se dispuseram a realizar exames de DNA para investigar paternidade, pagando as despesas de seus próprios bolsos, para que as investigações andem mais rápido. Os policiais alegam que estão se antecipando porque querem que tudo seja esclarecido logo, eliminando qualquer suspeita contra eles. Além da instauração da sindicância determinada pelo diretor da PF para descobrir como Gloria Trevi engravidou, foi aberto também um inquérito policial para saber se ela foi estuprada. A cantora, sua ex-secretária Mary Boquitas e seu ex-empresário Sergio Andrade estão presos no Brasil há quase dois anos a pedido do México. Eles são acusados naquele país de corrupção de menores e estupro. Em dezembro passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extradição dos três. Mas eles não viajaram até agora porque seus advogados tentam conseguir que o governo brasileiro reconheça que os três são refugiados. Se isso ocorrer, eles poderão viver livremente no Brasil.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.