Ministro pede sindicância para apurar fechamento de Cumbica

O ministro da Defesa, Waldir Pires, mandou neste domingo, 25, a Infraero investigar as causas dos problemas no equipamento de auxílio de pousos de avião que resultaram no fechamento do aeroporto de Cumbica por várias horas neste fim de semana. Em conversa com o presidente da estatal, brigadeiro José Carlos Pereira, o ministro recomendou a punição dos responsáveis pelas falhas no sistema. As penalidades vão da advertência à demissão "exemplar".A assessoria do ministro divulgou no início da tarde deste domingo uma carta enviada à Infraero para cobrar punição dos responsáveis pelo caos no aeroporto. No documento, Waldir Pires diz ter sido informado pelo Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) que, se o equipamento estivesse em uso, não teria ocorrido a suspensão dos pousos em Guarulhos de 2 horas às 8h30 de sábado. A paralisação atrasou 102 vôos, segundo assessores da Defesa. "Os responsáveis, identificados, deverão ser afastados e submetidos ao processo administrativo", determinou o ministro, que está fragilizado no cargo.O presidente da Infraero entregará na segunda-feira, 26, às 10 horas, um relatório preliminar ao ministro sobre a paralisação do aeroporto. O relatório levou em conta informações levantadas neste domingo mesmo por técnicos enviados a Guarulhos. Já a sindicância pedida por Waldir Pires, que vai ouvir funcionários das áreas de operação e manutenção do sistema, deverá ser concluída em três dias. "O ministro pediu uma investigação rápida e rigorosa", relatou o brigadeiro José Carlos Pereira. "A investigação será feita com rapidez, mas com muito cuidado para não cometermos injustiça."Cumbica fechou por cinco horas e meia no sábado e três horas no domingo em decorrência de um problema no sistema de auxílio de pousos chamado ILS, de categoria 2 (as categorias vão de 1 a 3 e levam em conta a visibilidade). O equipamento de Cumbica foi danificado há dez dias por um raio e, mesmo depois de ser recuperado, não voltou a entrar em funcionamento. A entrada em operação do sistema dependia de um teste com um avião da Força Aérea Brasileira. Até domingo, o teste não tinha sido feito.Localizados nas duas cabeceiras da pista de pouso, os equipamentos ILS têm o formato que lembra uma trave de futebol, com várias antenas verticais. O piloto que está na fase de descida começa a receber informações do sistema a 20 milhas da pista. O aeroporto de Cumbica também conta com sistema ILS de categoria 1, que está em pleno funcionamento. O forte nevoeiro na região de Guarulhos, no fim de semana, porém, exige a utilização do sistema de categoria 2.CriseDesde a crise da Varig, que se acirrou em 2005, o setor aéreo brasileiro entrou no centro das discussões. A queda de um avião da Gol, em setembro do ano passado, acabou revelando problemas diversos no setor, como a deficiência no controle de vôos, uma das causas da tragédia. No final de 2006, empresas, como a TAM, foram responsabilizadas pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva de venderem passagens além do número de assentos dos aviões. Lula, que gostava de atacar o antecessor, Fernando Henrique Cardoso pelo apagão no sistema de energia elétrica, enfrentaria o apagão no setor aéreo.Revoltas de controladores de vôo, problemas em equipamentos e erros de empresas causaram uma série de apagões aéreos, com congestionamento de pistas, tumulto nos terminais de embarque e atraso nas decolagens. O presidente da Infraero diz que problemas comuns em qualquer país passaram a ter uma dimensão maior. Ele discorda que haja uma crise geral no setor, mas reconhece que é preciso um esforço para enfrentar a sucessão de problemas. "Não podemos negar a existência de problemas localizados."Matéria atualizada às 17h23 para acréscimo de informações

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