Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Ministro prorroga prazo de permanência no ES de Forças Armadas

Raul Jungmann, porém, não informou por quanto tempo militares ficarão no Estado; na avaliação dele, caos no Espírito Santo não se repetirá no Rio

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2017 | 13h40

RIO - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, descartou a hipótese de repetição da situação de caos do Espírito Santo no Rio de Janeiro. Ele afirmou que o prazo de permanência das Forças Armadas no Estado vizinho ao Rio será prorrogado, sem informar por quanto tempo. 

"Vamos permanecer lá (no Espírito Santo) o tempo que for necessário", garantiu, em entrevista coletiva. "Se as Forças Armadas não estivessem no Espírito Santo, se não tivessem derrubado arrastões, incêndios e saques, a população de lá estaria à mercê de vândalos. As Forças Armadas hoje são um ativo democrático", afirmou,  ao ser questionado se haveria comparação entre a forte atuação militar hoje em vários Estados do País e o do período da ditadura militar. 

De acordo com Jungmann, Exército, Marinha e Aeronáutica são convocados a atuar quando há impossibilidade de manutenção da ordem por um Estado, atendendo ao que prevê a Constituição Federal.

"As Forças Armadas estão obedecendo ao comando da Constituição democrática, nada a ver com situação anteriormente existente. Não há nenhuma relação entre uma coisa e outra", respondeu. 

O ministro destacou que vários Estados do País enfrentam problemas de segurança e uma crise do sistema prisional, que "algumas vezes transborda para as ruas", como aconteceu na Penitenciária de Alcaçuz, na Grande Natal. Ao mesmo tempo, essa crise se articula com a crise financeira vivida por esses Estados, o que agrava a situação.

Apesar disso, o ministro da Defesa reforçou o posicionamento de que a atuação das Forças Armadas nesses casos deve ser "episódica", já que sua missão é defender e monitorar o território nacional.

"Tenho convicção de que não vamos resolver o problema da segurança através da Defesa. A Constituição Federal determina que o emprego das Forças Armadas se dê episodicamente, por tempo limitado", afirmou.

 

Insatisfação. Reportagem do Estado desta segunda-feira, 13, revelou que a decisão do presidente Michel Temer (PMDB) de autorizar o emprego das Forças Armadas nos Estados está trazendo grande insatisfação e preocupação entre os militares.

No caso do Rio, há o agravante de ter sido feito de forma indiscriminada e genérica, citando a necessidade das tropas federais por causa da proximidade com o carnaval e da possibilidade de contaminação da Polícia Militar do Estado, em decorrência do motim no Espírito Santo. A preocupação é com o "uso político" que está sendo feito das tropas federais.

ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde. 

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado. 

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo. 

Para tentar conter o motim, o governo criou na quarta-feira, 8, um comitê de negociação com representantes do movimento que impede a saída de policiais militares dos batalhões das principais cidades do Estado.

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