Ministro rejeita prazo de 1 h para conexão em Congonhas

Empresas queriam descaracterizar o aeroporto como hub; movimento no terminal caiu 6% até julho

Camilla Rigi, Gerusa Marques e Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2023 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou ontem que não vai aceitar um dos cinco pedidos das empresas aéreas para que houvesse um tempo mínimo de conexão (MCT, na sigla em inglês) de uma hora no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Pela proposta, as companhias queriam que o tempo de espera dos passageiros em Congonhas de um vôo para outro fosse de pelo menos uma hora, para descaracterizar que o aeroporto estivesse sendo usado como conexão, o que está proibido pelo Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac). ''''Isso não será aceito'''', disse.Ao ser questionado sobre a construção de áreas de escape em Congonhas, Jobim disse que já conversou com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que sugeriu a ampliação da pista para o lado do Jabaquara. O ministro disse que também está sendo estudada a colocação, no fim da pista, de concreto poroso - que permite o atolamento das aeronaves - e de redes de segurança.Com o limite de 33 operações por hora em Congonhas, Jobim espera uma diminuição de 4 milhões de passageiros por ano no terminal. Quando o movimento era de 44 a 48 pousos e decolagens por hora, o número de passageiros por ano chegou a 18 milhões - e a capacidade do aeroporto é de apenas 12 milhões.Até julho, o movimento em Congonhas já caiu 6% em relação ao mesmo período de 2006. Segundo balanço publicado ontem pela Infraero, 10.050.454 pessoas passaram pelo aeroporto de janeiro a julho , ante 10.580.219 nos sete primeiros meses do ano passado.O resultado de Congonhas, porém, não reflete o mesmo cenário da movimentação em todos os 67 aeroporto administrados pela estatal, que registrou aumento de 7% no número de passageiros. O Aeroporto Internacional de Guarulhos seguiu a tendência nacional, registrando um aumento de 9% no fluxo de pessoas. São 10.416.348 este ano, ante 9.510.650 em 2006.O Estado tentou falar ontem com o superintendente da Regional Sudeste da empresa, Edgard Brandão Júnior, para explicar a queda em Congonhas, mas ele não foi localizado.O fato inegável é que 2007 foi um ano atípico para o aeroporto paulistano. Desde janeiro, a pista principal teve de ser fechada todas as vezes em que choveu e se formou uma película de água acima de 3 milímetros. Em seguida, a Infraero anunciou o início da reforma das pistas auxiliar e principal. O acidente com o Airbus da TAM, em 17 de julho, com 199 mortes, só aumentou o caos por que passou Congonhas.No campo jurídico, a juíza Cecília Marcondes, do Tribunal Regional Federal da 3 ª Região, negou o pedido de suspensão da liminar concedida a Associação de Moradores de Moema que garante o não funcionamento de Congonhas das 23 às 6 horas, para evitar incômodos aos vizinhos.GUARULHOSA ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem que a construção da terceira pista do Aeroporto de Guarulhos foi incluída pelo Ministério da Defesa no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O programa, que prevê investimentos de pouco mais de R$ 1 bilhão para os aeroportos paulistas até 2010, contemplava apenas reformas das pistas já existentes em Congonhas e Guarulhos, além da construção de um terceiro terminal de passageiros em Guarulhos.Ela afirmou ainda que o Conac definiu duas frentes de trabalho: uma para adequação e ampliação de aeroportos e outra para a construção de um outro aeroporto em São Paulo. ''''São coisas que correm em paralelo e em tempos diferentes'''', disse a ministra, após participar de um seminário sobre infra-estrutura em Brasília.Segundo Dilma, ninguém faz obra de infra-estrutura sem ter um horizonte. ''''Se não providenciar o projeto hoje, não sai na hora que for necessário'''', afirmou a ministra. Segundo ela, somente o estudo de viabilidade para a construção de uma nova pista leva um ano para ser realizado.

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