Ministro surpreende-se com dificuldades para enfrentar dengue

No lançamento hoje da campanha contra a dengue, o Dia D de combate à doença, o ministro da Saúde, Humberto Costa, constatou as dificuldades causadas pela pobreza para enfrentar a doença. O lançamento aconteceu na favela de Acari, uma área na zona norte do Rio de Janeiro, marcada por problemas de saneamento e repleta de poças d´água - criadouros potenciais do mosquito Aedes aegypti, transmissor da moléstia. Ao visitar a pensionista Eleonor Nogueira da Silva, de 70 anos, que mora em uma viela não calçada e próxima a um rio, Costa perguntou pela caixa d´água, plantas ou pneus inexistentes no casa e foi surpreendido pela resposta da moradora. "Aqui onde dá muito mosquito é ali do outro lado da ponte, onde tem muito lixo". Costa quis saber se a sociedade lá estava mobilizada para tirar o lixo, mas Eleonor disse que não, e que acredita que nem adiantaria. "Para tirar o lixo, só se tirar as pessoas que moram debaixo da ponte", disse depois que o ministro deixou o local. Moradora de uma casa improvisada que tem a ponte como teto e paredes improvisadas com pedaços de madeira, Maria Rosa, reagiu com berros à visita de Costa. "Eu quero uma casa. Eu quero uma casa", gritava, mal-humorada, enquanto o ministro passava pela viela. "Eu não acordo cedo porque não trabalho", gritava, incomodada por ter sido acordada, por volta de 9h30, pela visita. Recomendações do ministroCosta explicou que escolheu o Rio porque é o Estado que enfrentou as piores epidemias da doença e por isso está sujeito a maior risco de dengue hemorrágica, que é mortal e se desenvolve na segunda vez que a pessoa é contaminada pela picada do inseto. Já Acari, disse, não foi exatamente uma escolha sua, mas uma sugestão da organização não-governamental Viva Rio. No local, o ministro recomendava às pessoas que não deixassem acumular água em pneus e colocassem areia nos pratinhos sob vasos de plantas. "Esperamos reduzir o número de casos no Rio em 10% em relação ao verão passado, quando já houve redução de mais de 60% em comparação com o de 2002, e assim evitaremos uma epidemia.". De acordo com ele, o Orçamento da União para o ano que vem prevê R$ 2,9 bilhões para serem aplicados em saneamento.

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