Ministro teme novos atrasos em aeroportos no fim de ano

O ministro da Defesa, Waldir Pires, disse nesta sexta-feira, 17, que não descarta a possibilidade de ocorrerem novos atrasos em vôos nos próximos feriados e festas de fim de ano. O temor vem do fato do número insuficiente de controladores de tráfego aéreo no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 1), em Brasília. Para tentar resolver a crise no setor aéreo, ele defendeu a criação de um órgão público específico, vinculado ao governo, para gerenciar o tráfego aéreo civil. Para Pires, a defesa aérea tem que continuar com a área militar, mas o controle aéreo civil, a exemplo do que já ocorre em outros países, pode sofrer modificações. Ele ressaltou, no entanto, que essa é uma opinião pessoal, mas que não acredita em resistência da aeronáutica. "O Comandante da Aeronáutica estava sentado à mesa de reuniões", afirmou, após participar de uma reunião nesta sexta-feira com 17 integrantes de um grupo de trabalho que estuda o futuro da carreira de controlador aéreo. O ministro destacou a urgência em se discutir essa questão e disse esperar até que os trabalhos se encerrem antes do prazo de 60 dias, o que demonstraria a "vontade política" do governo de discutir o assunto e resolver o problema da carência de controladores de vôo no País.AtrasosPara os próximo feriados e festas de fim de ano, Waldir Pires não descartou a possibilidade de ocorrerem novos atrasos nos principais aeroportos do País. O temor vem do fato do número insuficiente de controladores de tráfego aéreo no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 1), em Brasília. Ele afirmou que tem esperança de que todos os controladores estejam empenhados na realização dos seus trabalhos para que não ocorram novos problemas "para enfrentarmos um fim de ano tranqüilo"."Nós não temos reserva de controladores. A angústia dessa hora é isso. Não posso chegar na prateleira e pegar controladores. Essa angústia está sendo resolvida com a participação dos controladores e com as novas contratações que estão ocorrendo. Não devemos esperar o caos para o fim do ano", afirmou.AquartelamentoNa terça-feira, 14, 150 controladores foram convocados e 70 ficaram aquartelados por mais de 30 horas nas dependências do Cindacta 1. Ainda assim, 35,5% dos vôos atrasaram e o confinamento acabou na quarta-feira sob a justificativa de que o movimento nos aeroportos tinha retornado à normalidade. Nesta sexta-feira, até 15 horas, um balanço divulgado pela Infraero indica que 27,5% ou 259 de um total de 940 vôos programados partiram com atraso superior a 15 minutos nos 68 aeroportos administrados pela empresa. O número já é superior ao dos 249 atrasos registrados até as 19h30 de quarta-feira, mas de acordo com a Infraero a situação é tranqüila porque só são considerados fora do normal os atrasos superiores a 45 minutos. Nessa avaliação, somente 38 ou 3,3% dos vôos atrasaram. Outros 152 pousos ou decolagens tiveram atrasos de 15 minutos e outros 71, 30 minutos. Pires participou de uma reunião nesta sexta-feira com 17 integrantes de um grupo de trabalho que estuda o futuro da carreira de controlador aéreo. Nenhum sargento-controlador, responsáveis pela operação padrão, que levou ao apagão aéreo no feriado de finados, integra a comissão ou estava presente à reunião. No grupo há representantes dos controladores civis, que deverão ficar incumbidos de levar reivindicações da categoria. O ministro avisou que tem pressa na conclusão da proposta da nova carreira de controladores e na criação de um novo órgão civil para abrigar esta função. Waldir Pires já anunciou a próxima reunião do grupo para quarta-feira da semana que vem, às 10 horas, na Defesa, quando poderá ser decidido fazer subvidisões do trabalho. "Estamos demonstrando que há vontade política de resolver este problema", declarou o ministro comentar que a expectativa é de que os estudos com as propostas fiquem prontos antes do prazo inicial de 60 dias que foi dado para conclusão dos trabalhos. "Toda quarta-feira haverá reunião até concluirmos os trabalhos", declarou ele, mostrando que está bancando esta posição.Crise AéreaOs atrasos de vôos nos principais aeroportos do País começaram no dia 27 de outubro quando os controladores de tráfego aéreo do centro de controle de Brasília - o Cindacta 1 - decidiram iniciar um protesto, a chamada operação-padrão, contra a falta de profissionais. Logo depois do acidente da Gol, em 29 de setembro, como é praxe em casos de acidentes, dez controladores de vôo de Brasília entraram em licença médica. Em seguida, outros dez profissionais também pediram a licença. Na operação-padrão, os controladores seguem as normas internacionais que determinam que cada operador deve controlar, no máximo, 14 aeronaves simultaneamente. Antes da operação, cada controlador chegava a monitorar até 20 aviões ao mesmo tempo. Com isso, o intervalo entre os pousos e decolagens aumentou, provocando uma seqüência de atrasos e cancelamentos de vôos em terminais aéreos de todo o País.O colapso no tráfego aéreo ocorreu no dia 2 de novembro, feriado de Finados, quando cerca de 600 vôos sofreram atrasos de até 20 horas. No último fim de semana o problema voltou a ocorrer depois que dois controladores de Brasília faltaram no trabalho no sábado. (Colaborou Pedro Henrique França) Matéria alterada às 19h45 com acréscimo de informações.

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