Ministro tenta afastar pecha de homem forte do governo

Ao assumir Casa Civil, Palocci diz que será ''mais um do time''; pasta perde funções, mas ainda é posto estratégico

Vera Rosa e João Domingos, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2011 | 00h00

Na tentativa de desconstruir a imagem de homem forte do governo Dilma Rousseff, Antonio Palocci Filho assumiu ontem a chefia da Casa Civil com um discurso pontuado por doses de humildade. Na cerimônia de sua posse, prestigiada por ministros, governadores, parlamentares, dirigentes do PT e empresários, Palocci fez de tudo para escapar do rótulo de capitão do time, que marcou a gestão de José Dirceu - ausente na solenidade de ontem -, e de conselheiro da presidente.

"Tenham-me como um de vocês, um da equipe, um do time. Meu esforço será o de expressar adequadamente as determinações da presidenta Dilma para construir com vocês os melhores desenhos sobre os programas prioritários do governo."

Apesar das evidências de que vai cuidar da articulação política do governo nas grandes questões, deixando para a Secretaria de Relações Institucionais o varejo das negociações com deputados e senadores, Palocci negou essa tarefa. "Conte sempre com meu apoio, meu caro Luiz Sérgio, mas a bola é toda sua", insistiu ele, dirigindo-se ao chefe das Relações Institucionais.

Embora a Casa Civil tenha perdido funções executivas, a pasta está longe da desidratação. Ao contrário: apesar de seu esforço em parecer que tem menos poder do que tem, Palocci é o mais importante auxiliar de Dilma. Até agora, a Casa Civil perdeu a gerência do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida, transferidos para o Planejamento. A Secretaria da Administração, espécie de "prefeitura" do Planalto, foi remanejada para a Secretaria-Geral da Presidência. O Sistema de Proteção da Amazônia foi deslocado para a Defesa e o Arquivo Público Nacional voltou para a Justiça. Tudo, porém, feito com o aval de Palocci.

Escaldado com a sucessão de crises na Casa Civil, que já derrubou dois ministros nos últimos cinco anos e meio - Dirceu e Erenice Guerra -, Palocci pretende fazer um trabalho de bastidor. Ao receber o cargo de Carlos Eduardo Esteves Lima - que substituiu por 105 dias Erenice, acusada de nomear amigos e parentes ávidos por negócios dentro do governo -, ele chegou mesmo a anunciar que será "econômico" nas palavras e entrevistas.

Generais. Ex-ministro da Fazenda que caiu no rastro da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa - revelada pelo Estado -, Palocci assume a Casa Civil depois de quatro anos e nove meses fora do poder. No governo Lula, Palocci e Dirceu eram chamados de "generais" e protagonizaram várias disputas pelos rumos do governo. Dirceu foi defenestrado em 2005, no rastro do escândalo do mensalão. A queda de Palocci ocorreu nove meses depois.

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