Ministro tinha Santander entre clientes da Projeto

Primeira instituição financeira a admitir que contratou a consultoria, banco tem interlocução com Palocci desde 2001

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, prestou serviços para o Banco Santander no período em que era deputado federal. O contrato foi feito por meio da sua empresa Projeto Consultoria Econômica e Financeira para "análises econômicas e financeiras" a executivos do banco.

A informação foi confirmada ontem ao Estado pelo próprio Santander. É a primeira instituição bancária a revelar publicamente a contratação de Palocci, que foi ministro da Fazenda no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em nota enviada à reportagem, a assessoria do Santander informa que contratou Palocci para dar palestras sobre economia aos seus executivos.

"O Santander Brasil informa que contrata eventualmente palestrantes para apresentar análises econômicas e financeiras, nacionais e internacionais, aos seus funcionários. Dentro deste contexto, o sr. Antonio Palocci, por meio da empresa Projeto, fez palestras para grupos de executivos da organização." O banco argumenta ainda que não pode revelar mais detalhes - como datas e valores dos contratos - por questões de cláusula de confidencialidade.

Laços. Fontes do mercado confirmaram ao Estado que a Projeto prestou serviços entre 2008 e 2010. O ano de 2008 ficou marcado por uma grave crise econômica mundial, quando o governo Lula adotou medidas para contê-la no Brasil. Em janeiro de 2009, Lula recebeu no Palácio do Planalto o presidente mundial do Grupo Santander, Emilio Botín. Naquele encontro, os dois discutiram os efeitos da crise e o banco anunciou investimentos de R$ 2,5 bilhões no País.

Além do Santander, outras duas empresas já admitiram publicamente terem sido clientes do ministro da Casa Civil no período em que Palocci foi deputado federal: a construtora WTorre, que tem negócios com o governo, e a operadora de plano de saúde Amil. Na sexta-feira, o Estado revelou que Palocci prestou serviços para pelo menos, 20 empresas, incluindo bancos, indústrias, montadoras.

Desde a revelação de que seu patrimônio cresceu pelo menos 20 vezes em quatro anos, Palocci tem se negado a revelar a relação de clientes. Diz que cláusulas de confidencialidade o impedem de contar para quem trabalhou.

A empresa Projeto foi aberta em 2006 e, até dezembro de 2010, funcionou como uma empresa de consultoria. Foi quando Palocci alterou a razão social para Projeto Administração de Imóveis, cujo objetivo seria cuidar do apartamento de R$ 6,6 milhões e o escritório de R$ 882 mil comprados entre 2009 e 2010.

Procurado pelo Estado, o ministro, por intermédio de sua assessoria de imprensa, disse que não comentaria sobre os serviços prestados ao Santander.

No período em que Palocci foi deputado, o então presidente do Santander, Fábio Barbosa, presidiu a Federação Brasileira de Bancos. O relacionamento entre Palocci e o Santander é antigo. Em 2001, pouco depois da compra do Banespa, o banco espanhol enfrentou uma rebelião de prefeitos petistas, a maioria da região de Ribeirão Preto. Contrários à privatização, eles queriam tirar as folhas de pagamento dos municípios do Banespa e transferi-las para outras instituições. A pedido do Santander, Palocci interveio e convenceu os colegas a mudar de ideia. Depois disso, Antonio Palocci transformou-se num interlocutor frequente do Santander. / COLABOROU DAVID FRIEDLANDER

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EM NOTA OFICIAL

"O Santander contrata eventualmente palestrantes para apresentar análises econômicas e financeiras. O sr. Antonio Palocci, por meio da empresa Projeto, fez palestras para executivos da organização"

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