Ministros terão ''três chances'' para resolver divergências

Na primeira reunião ministerial do novo governo, a presidente Dilma Rousseff enquadrou os auxiliares e disse que não vai tolerar divergências públicas nem desvios éticos. Sob o argumento de que todos devem trabalhar em equipe e ter "solidariedade", Dilma avisou que dará "três chances" para que os ministros cheguem a um consenso quando houver opiniões dissonantes.

Bastidores: Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

"Se não resolverem em três reuniões, eu arbitro", disse ela. "A política é de governo: temos de transformar divergência em convergência."

Nos últimos dias, os ministros escancararam discordâncias sobre vários assuntos, mas as maiores polêmicas foram relativas ao aumento do salário mínimo - definido ontem em R$ 545 -, ao ajuste fiscal e às disputas entre o PT e o PMDB por cargos no segundo escalão.

O chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, disse que cada ministro deve falar apenas sobre temas de sua pasta e cobrou entendimento entre os colegas. "Não é cabível que existam divergências públicas", insistiu Palocci. Muitos entenderam a ponderação como recado ao ministro do Trabalho, Carlos Luppi, que em várias ocasiões defendeu um salário mínimo na faixa de R$ 550.

"Nós somos uma equipe e temos de ser companheiros", argumentou Dilma. Ao pregar comportamento "republicano" dos auxiliares, ela deu o tom de suas expectativas. "Eficiência e ética são faces da mesma moeda", disse, logo no início do encontro, que durou quatro horas e reuniu 37 ministros, no Palácio do Planalto.

O governo prepara nova cartilha com parâmetros de conduta ética, um dos pontos em que a gestão Lula foi mais criticada. Palocci afirmou que os colegas devem ter cuidado com "presentes" e "comedimento" no uso do avião oficial.

Dilma destacou que não aceitará indicações políticas para as agências reguladoras. No seu diagnóstico, essas repartições foram "capturadas" pelo fisiologismo e é preciso fortalecê-las. Não foi só: reiterou que os cargos para a direção de estatais devem obedecer a critérios técnicos, e não apenas políticos.

A reunião também teve momentos de descontração. Quando Dilma lembrava os percalços ocorridos no passado entre os Ministérios das Minas e Energia e do Meio Ambiente, Edison Lobão franziu a testa. "As maiores dificuldades que tenho são mesmo com o Meio Ambiente", reforçou ele. Diante da surpresa geral, porém, o titular de Minas e Energia virou-se para Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e emendou: "Mas, com a atual ministra, não tenho problema nenhum." Até Dilma deu risada.

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