Ministros visitam favela do Vidigal no Rio

A primeira visita oficial de dois ministros à Favela do Vidigal, na zona sul do Rio, foi precedida por um almoço para 50 convidados (R$ 59 por pessoa), no luxuoso Hotel Sheraton, na frente do morro. As despesas com alimentação e transporte da comitiva até o topo da favela foram pagas pelo deputado Júlio Lopes, do PP, partido do ministro das Cidades, Márcio Fortes de Almeida, um dos visitantes. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o outro visitante, chegou atrasado de Brasília e seguiu diretamente para a cerimônia de assinatura do convênio para regularização fundiária no Vidigal, que garantirá títulos de posse para os moradores.Oito batedores da Polícia Rodoviária Federal fecharam o trânsito na Avenida Niemeyer para a passagem do comboio de cinco caminhonetes e quatro vans que subiu a favela sob a escolta dos fuzis de agentes da Polícia Federal. O morro estava ocupado pela Polícia Militar. Faixas foram espalhadas pela favela: "Júlio Lopes e a comunidade do Vidigal parabenizam os ministros pela visão de cidadania."SegurançaNo discurso, Bastos disse que "regularização fundiária é investimento em segurança". "Em 2006 e 2007, vamos investir R$ 585 milhões em segurança no Rio.""Visita é sempre bom, mas espero que as coisas aconteçam, tanto para a Rocinha e o Vidigal como para outras favelas", disse René Mello, da associação de moradores do Vidigal.RocinhaWilliam de Oliveira, da associação da Rocinha, entregou para o ministro das Cidades uma lista de 12 reivindicações para a favela, entre elas a instalação de agências do Banco do Brasil e de programas sociais, além da ampliação da regularização fundiária na favela. "Quando aparece um momento como esse, a gente agarra. Eles estão assinando um compromisso que a gente pode cobrar. Fica a pulga atrás da orelha."Inicialmente, o governo havia anunciado que o projeto beneficiaria 15 mil famílias nas duas favelas, mas apenas R$ 1,5 milhão dos R$ 4 milhões previstos foram liberados para a licitação que, agora, escolherá a empresa responsável pelo cadastro e levantamento da documentação de cerca de 3 mil famílias no Vidigal. A previsão é a de que o trabalho dure de 7 meses a um ano.Não há prazo para a entrega dos primeiros títulos porque isso dependerá de questões judiciais. "Vou começar com o Vidigal porque, entre as duas, é mais fácil", disse o ministro das Cidades. "O deputado bancou tudo por conta própria, ele é um idealista. O PP não tem nada a ver com isso", informou a assessoria de Júlio Lopes, que comprou uma casa no alto do morro e a doou para o projeto.

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