Miro quer que Câmara tenha acesso ao dossiê da Hurricane

O líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ) solicitou, nesta quinta-feira, 19, ao presidente da Casa, Arlindo Chinaglia, que requisite a transferência de sigilo da Operação Furacão para a Câmara. A preocupação de Teixeira é com as declarações do ministro da Justiça, Tarso Genro, que em declaração a uma agência de notícias disse que não se surpreenderia se, na próxima fase da investigação da operação, o Congresso fosse investigado. Segundo Miro Teixeira, se a Justiça não puder enviar a cópia integral das investigações, poderia enviar o que diz fiz respeito aos parlamentares. O presidente da Câmara, disse que vai analisar o pedido, mas argumentou que a Casa não pode se antecipar aos fatos e atrair para si o que ainda não está muito claro. "Não podemos trazer para o quórum da Câmara o que não está aqui, ainda. Vou analisar", afirmou Chinaglia. Pelo menos o nome de dois parlamentares aparece nos grampos feitos pela PF com autorização da Justiça. É o da deputada federal Marina Magessi (PPS-RJ) e do deputado Simão Sessim (PP-RJ). Na quarta-feira, a Câmara sinalizava que deveria deixar para a Justiça Eleitoral as apurações sobre o suposto envolvimento da deputada em um esquema de financiamento irregular de campanha do grupo do bicheiro Aílton Guimarães, o Capitão Guimarães, preso na Operação Hurricane (furacão, em inglês) da Polícia Federal. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), pediu à corregedoria que analisasse o caso, mas na quarta-feira mesmo o corregedor, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), disse que em princípio não caberia abertura de processo de cassação, pois análise preliminar dos assessores da corregedoria mostra que seria um crime eleitoral e teria ocorrido antes de a deputada ter tomado posse. ?A tendência é essa, mas vamos esperar os desdobramentos. Não vou pedir arquivamento ainda. Vou ouvir mais pessoas, vou analisar melhor?, explicou Inocêncio, acrescentando que ainda não sabe quanto tempo levará para apresentar seu parecer. Quando for concluído, o parecer será submetido à Mesa Diretora da Câmara, que decidirá se abre processo. Mas o PSOL já está discutindo se vai esperar o corregedor ou se entrará com pedido de cassação do mandato de Marina diretamente no Conselho de Ética da Câmara. ?Estamos apenas aguardando a manifestação da deputada em plenário. A acusação é séria e o fato de ela ter silenciado em plenário agrava muito. Esperamos que ela e o PPS se manifestem. Depois, vamos discutir a possibilidade de representação com a bancada e a Executiva do partido?, contou o líder do PSOL na Casa, Chico Alencar (RJ). Quebra de decoro Chinaglia já havia pedido ao corregedor que apurasse eventual quebra de decoro de Marina quando surgiram gravações telefônicas nas quais ela sugeriria a um colega ?dar uns tiros? em outro policial. Inocêncio adiantou que, nesse caso, a assessoria da corregedoria entendeu que o fato se deu quando ela ainda não era deputada e, portanto, a tendência é não abrir processo. Ele anexou os dois requerimentos de Chinaglia. Segundo relatório reservado da Polícia Federal, Marina Maggessi teria recebido dinheiro de caixa 2 para a campanha eleitoral do ano passado, em que se elegeu. ?A denúncia é grave. Entretanto, é preciso saber se existe algum tipo de realidade na denúncia. Nós temos de ter acima de tudo o direito de defesa para qualquer cidadão, até porque nem sempre as denúncias se confirmam?, disse Chinaglia. O líder do PPS na Câmara, Fernando Coruja (SC), contou que o partido vai esperar as explicações de Marina antes de adotar qualquer ação sobre as denúncias. ?Ela precisa se explicar primeiro para a sociedade e depois para a bancada. Não vamos tomar posicionamento por enquanto. Vamos ver as explicações.? O deputado sugeriu que setores da PF possam estar fazendo uso político das gravações, ao divulgar apenas o nome da deputada ao mesmo tempo em que afirma que vários políticos foram beneficiados pelo do esquema do bicheiro. ?Marina precisa se explicar, mas, por outro lado, ficamos preocupados com o fato de a polícia estar vazando informações apenas contra ela?, explicou Coruja. ?Na gravação não fala que a doação foi para vários políticos? Começamos a ter a preocupação de que um setor ou outro da polícia possa estar agindo politicamente.?

Agencia Estado,

19 Abril 2007 | 14h04

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