Missa e ato lembram um mês do assassinato de João Hélio

Uma missa na Igreja da Candelária lembrou nesta quarta-feira o primeiro mês da morte do menino João Hélio Fernandes Vieites, de 6 anos, arrastado por sete quilômetros por assaltantes que levaram o carro de sua mãe. Cerca de 150 pessoas participaram da cerimônia, entre elas vítimas da violência. "Meu sentimento é de que eu era feliz. E que agora minha vida é completamente vazia. Eu era uma mãe dedicada e agora tenha um vazio na minha vida", disse Rosa Cristina Fernandes Vieites, mãe de João Hélio, muito emocionada.O pai de João Hélio, Elson Lopes Vieites, segurava uma bandeira do Brasil e uma cópia da primeira página da Constituição. Outras pessoas repetiram o gesto. Ele voltou a pedir a redução da maioridade penal. "O que aconteceu na terça (o casal acompanhou audiência do julgamento do menor E., um dos acusados) só aumenta nosso sofrimento, estamos mexendo na ferida. Em um mês, os governantes nada fizeram. E não sei se vão fazer", afirmou.O casal recebeu a solidariedade de outras vítimas da violência, como Jovita Belfort, mãe da jovem Priscila Belfort, que desapareceu em janeiro de 2004, Cleyde Prado Maia, mãe da estudante Gabriela, morta por bala perdida em 2003, e Isabel Cristina Fabri, mãe de Pedro, morto aos 8 anos depois de ser espancado pela babá."Todos que passam por alguma violência não podem ficar estáticos diante de um caso como esse. Não vim só me solidarizar, mas cobrar das autoridades alguma atitude", afirmou o analista de sistemas Carlos Gustavo Santos Pinto Moreira, o Grelha, que ficou hemiplégico ao ser baleado por seguranças do bicheiro Valdomiro Paz Garcia, o Maninho, em 1986. O alvo era o ator Tarcísio Filho, que teria paquerado a namorada do contraventor. A vereadora Aspásia Camargo (PV) participou da cerimônia. Ela está articulando uma rede de parlamentares suprapartidária, o Comitê João Hélio, para apoiar as vítimas da violência e atuar como interlocutor entre essas pessoas e o poder público e outras organizações. A primeira ação dessa rede é um encontro com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Wadih Damous, marcado para terça-feira. "A nossa maior dificuldade é acompanhar os processos. Gravei as agressões que meu filho sofreu da babá e que o levaram à morte, mas a Justiça perdeu a fita. Como isso pode acontecer? Tenho muito medo que a assassina do meu filho fique impune", afirmou Isabel Cristina Fabri, que integrará a comissão. O cartório da 5.ª Vara Criminal nega que a fita tenha sido arquivada ali, informa a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça.A Justiça já aceitou a denúncia do Ministério Público que indiciou os quatro maiores de idade por formação de quadrilha armada e roubo seguido de morte. O julgamento pode acontecer em três meses.

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