Missa lembra vítimas de violência em São Paulo

Nos últimos seis anos, 63.381assassinatos ocorreram no Estado. Foram 30 por dia, 1,3 por hora. Os ladrões assaltaram e mataram 2.757 pessoas. Na capital, a cada fim de semana, são registrados em média 50 homicídios. Aschacinas ajudam a engrossar essas estatísticas. Neste ano, na Grande São Paulo, foram 46 execuções, com 162 pessoas mortas.Para exigir das autoridades combate mais efetivo àcriminalidade e dar apoio às famílias das vítimas da violência, foi criado na capital o Movimento de Resistência ao Crime. Dele fazem parte delegados de polícia, investigadores, oficiais dareserva da Aeronáutica e da PM, advogados, procuradores de Justiça e parentes de vítimas.Hoje, o movimento celebrará, no Itaim-Bibi, missa "em memória das 60 mil vítimas da violência, setenciadas à pena demorte, executadas sumariamente por decisão dos criminosos e descaso das autoridades", informa o convite. A igreja fica na Rua Clodomiro Amazonas, 50, em São Paulo.Uma das organizadoras, a advogada Liliana Prinzivalli, afirmou que o objetivo também é lutar pela modificação da legislação penal e devolver às pessoas o direito de podercircular, trabalhar e viver sem agressão, seqüestro, assaltos e mortes.Entre as providências a serem adotadas pela entidade está a criação do Disque-Fugitivo. "Pretendemos divulgar as fotos dos fugitivos com mandado de captura, em ônibus, metrô, embalagens de supermercados e farmácias", disse Liliana. Segundo ela, além do nome ou apelido, deverão constar alguns dados da carreira criminosa do procurado, como a condenação aser cumprida e os delitos. A solicitação para a confecção dos cartazes já foi feita ao secretário-adjunto da Segurança Pública Papaterra Limongi. "Ele considerou viável, se tiver a ajuda da iniciativa privada."Os responsáveis pelo movimento encaminharam ao general Alberto Mendes Cardoso, ministro do gabinete da Segurança Instititucional da Presidência da República, e ao presidenteFernando Henrique Cardoso algumas reivindicações. Querem a maioridade penal aos 14 anos; prisão perpétua para crimes hediondos, como seqüestros e latrocínios; pena em dobro para quem agredir ou matar um policial; a não-concessão de penasalternativas; permissão para compra de arma.Apoio - Entre as pessoas que se engajaram no movimento estão dezenas que perderam mulheres, maridos, filhos, pais e amigos, vítimas da violência. O empresário Jorge Damus, porexemplo, teve o filho Rodrigo, de 20 anos, assassinado a tiros por ladrões em setembro de 1999, no Morumbi. Ele chegava em casaquando foi morto com tiros nas costas.O investigador de polícia Felipe Sturba teve o filho Luciano, de 37 anos, morto em maio do ano passado. Luciano trabalhava no Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) e colaborava com a CPI do Narcotráfico Estadual. Elefoi atacado por oito homens quando chegava em casa, na zona sul. Os ladrões levaram Luciano para o quarto e o mataram na presença da irmã Lucimara. Dos oito assassinos, cinco foram presos - três eram menores. "A prisão não abrandou a dor do meu coração."Outra vítima foi o pedreiro Antonio Auricélio Melo da Penha. Ele tinha 37 anos e morreu por R$ 70. Antonio vendera uma bicicleta e o assassino recusava-se a pagar. No dia 3 de setembro do ano passado, em frente de sua casa, na zona oeste,foi morto a facadas ao cobrar a dívida. A mulher, Marilene Paixão, e a filha Fabíola, de 12 anos, engajaram-se no Movimento de Resistência ao Crime.Missa - Mães da Associação em Nome do Bem Comum da Vila Madalena, zona oeste, participaram ontem da missa pelos seis meses da morte do músico Manoel Aragão Francisco, assassinadodurante seqüestro relâmpago no bairro, em fevereiro. Após a celebração, que reuniu cerca de 70 pessoas, amigos e integrantes do grupo de música Cachuera - tocando o djembe, instrumento afro tocado por Manoel - seguiram em passeata até a Praça dos Omaguás pedindo mais rigor da polícia na investigação de crimes.

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