Mistura de remédio e álcool provoca sonolência

O motorista que mistura tranqüilizante com bebida alcoólica - como declarou o ex-jogador Walter Casagrande à polícia - pode ter sonolência e inibição de reflexos, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Fábio Racy. "O álcool potencializa o efeito de qualquer remédio, Se o medicamento tem caráter tranqüilizante, a bebida contribui para que o efeito da droga seja multiplicado." De acordo com o Código Nacional de Trânsito, a quantidade máxima de álcool que o motorista pode ingerir é de 0,6 grama por litro de sangue. "Isso equivale a duas taças de vinho, em média", disse Racy. Para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), seria preciso conhecer com precisão a quantidade de vinho ingerida por Casagrande antes do acidente para avaliar a real influência que o álcool teve sobre sua capacidade de dirigir. "O álcool, mesmo quando não misturado a remédios, já pode comprometer o julgamento quando se está no trânsito." Segundo Laranjeira, pessoas que fazem tratamento com tranqüilizantes geralmente são informadas pelos próprios médicos sobre o risco da mistura. "A pessoa fica com os reflexos mais lentos." Laranjeira compara o estado de quem toma tranqüilizantes ao de uma pessoa que está quase dormindo. "Ela fica confusa." Salomão Rabinovich, diretor do Centro de Psicologia Aplicada ao Trânsito, também disse que a mistura afeta o julgamento. "A pessoa pode não conseguir calcular a velocidade do carro, por exemplo." FRASES Fábio Racy Presidente da Abramet ?Se o medicamento tem caráter tranqüilizante, a bebida contribui para que o efeito da droga seja multiplicado? Ronaldo Laranjeira Psiquiatra da Unifesp ?A pessoa fica mais lenta, com reflexos mais lentos?

O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2024 | 00h00

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