MIT processa Frank Gehry por ?falha? em projeto

Universidade acusa arquiteto por vazamentos em edifícios de conjunto que custou US$ 300 milhões

Suzanne Goldenberg, The Guardian, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Deveria ser um palácio para abrigar algumas das pessoas mais brilhantes do planeta. Ângulos irregulares, pisos inclinados, um exterior que sugeria uma implosão - esses eram os desafios que deveriam inspirar os grandes cérebros abrigados lá dentro.Agora, no entanto, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) entrou com ação contra o arquiteto Frank Gehry alegando que "falhas" no projeto reduziram a ambiciosa construção a um reduto de vazamentos.Os clientes que contratam Gehry esperam inovação. Responsável pelas grandes curvas metálicas do Museu Guggenheim de Bilbao e pelo auditório Walt Disney em Los Angeles, ele é citado como um dos maiores arquitetos do século 21.Mas na ação contra o escritório de Gehry e a empreiteira Skanska USA Building Inc., o MIT alega que o Ray and Maria Stata Center, que custou US$ 300 milhões, está cheio de problemas desde a inauguração, há três anos. O instituto afirma na ação que desejava criar um grupo de prédios que encorajasse o intercâmbio entre os Departamentos de Computação, Inteligência Artificial e Lingüística, todos abrigados no Stata Center. A universidade pagou US$ 15 milhões a Gehry pelo trabalho. No entanto, segundo as alegações do MIT, a drenagem ruim provocou rachaduras no anfiteatro, neve e gelo caíram dos ângulos irregulares das paredes e bloquearam saídas de emergência e o mofo brotou nos tijolos externos. O instituto diz ter gasto mais de US$ 1,5 milhão para reparar os danos. AMBIÇÃOOs críticos de Gehry o acusam há tempos de exagerar na ambição e impor a clientes abastados projetos suscetíveis a limitações tecnológicas.Dois projetos anteriores de Gehry para universidades americanas tiveram problemas. Um prédio construído em 1986 para a Universidade da Califórnia, em Irvine, foi demolido por causa de vazamentos. E outro prédio, encomendado para a Escola de Administração da Universidade Case Western Reserve, em Ohio, custou mais que o dobro do previsto. O Stata Center dividiu opiniões. Alguns críticos o elogiam como uma inovação, enquanto outros o denunciam como uma mancha na paisagem.

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