Mobília do século 19 volta ao STF

Móveis estavam em centro cultural no Rio, onde reproduziam o antigo plenário do Supremo

Marcelo Auler, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

Móveis históricos, muitos deles do século 19, que compunham o antigo gabinete do Supremo Tribunal Federal (STF) no Rio, à época que a cidade era capital da República, foram levados para Brasília e, agora, vão fazer parte do gabinete da presidência. A decisão é do novo presidente da corte, Cezar Peluso. Os móveis estavam no Centro Cultural da Justiça Federal, onde reproduziam o antigo plenário do STF.

O mobiliário será colocado na sala e no hall da presidência do Supremo, após a reforma do terceiro andar, e em outros salões do prédio, segundo informou a assessoria de imprensa do STF. Os móveis estavam no Rio desde setembro de 2006, quando, por decisão da então presidente da corte, Ellen Gracie, foram emprestados em comodato, até outubro deste ano.

Segundo o contrato de comodato, o mobiliário era "inadequado ao estilo arquitetônico do edifício de Brasília onde, por ausência de perspectiva, deixam de ser realçados suas características e estilos".

Para a museóloga Maria de Lourdes Parreira Horta, mesmo reconhecendo que não há irregularidade na mudança, "deve-se questionar por que um acervo histórico que estava bem instalado e aberto ao público, de repente, é desmanchado e levado para Brasília".

"O clima de Brasília é absolutamente danoso para móveis antigos de madeira, principalmente aqueles com incrustações. A secura e o ar refrigerado, que predominam nas instalações, vão provocar dano muito sério ao material", argumenta.

Foram embarcados, no dia 15 deste mês, mesas e escrivaninhas, de estilo manuelino, armários e espelhos de cristal em madeira jacarandá, estilo Luiz Felipe, além de cadeiras e poltronas, duas delas vitorianas com brasões da República. Uma mesa vitoriana, da sala de lanches dos ministros, com 100 quilos, é de 1870.

Também foram para Brasília seis grandes quadros com fotos de ministros, as esculturas "Pro Pratri" e "La-defénse du foyer", ambas do século 19, e "A Justiça", um relógio octavado, feito de carvalho em 1880 nos EUA, bem como uma cabine telefônica antiga.

"O ideal seria que não fossem mais utilizados e permanecessem como acervo da composição do antigo Tribunal no Centro Cultural", defende Maria de Lourdes.

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