Mobilização por ética faz contas para novos atos

Líderes avaliam desafios para aumentar adesão em ato já programado para dia 12

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2011 | 00h00

As manifestações do 7 de Setembro contra a corrupção foram "um primeiro passo" e têm razões de sobra para crescer, mas não será fácil fazê-las superar os desafios e ganhar peso na sociedade. É assim que ongueiros, entusiastas e estudiosos veem os protestos da terça-feira em Brasília, São Paulo e outras capitais, cujos organizadores já marcaram para 12 de outubro uma segunda etapa da cruzada.

"É um movimento positivo, só esperamos que não se torne um simples modismo", diz o presidente do Ministério Público Democrático (MPD), Claudionor Mendonça dos Santos. Além disso, atacar a corrupção é complicado, adverte. "No caso, seria preciso as pessoas pararem de ver a sociedade como vítima dos políticos, porque ela é, em grande parte, coautora das irregularidades."

Animada com o que viu, Silva Kosac, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), diz que as passeatas são " só um pedacinho" da luta. "No meu dia a dia, percebo que cada vez mais brasileiros estão dispostos a fazer algo prático contra a corrupção", afirma. Aos que ironizam a pequenez dos protestos, ela avisa: "Essa cruzada começou em 1999 e cresce aos poucos. Só o MCCE, que ajudou em parte a organizar as passeatas, reúne 52 ONGs e associações, como OAB, Movimento Nossa São Paulo, promotores, magistrados, grupos católicos e evangélicos, áreas de educação, agricultura, peritos criminais."

Tanto Kosac como Claudionor entusiasmam-se com a experiência de seus contatos na periferia. "Visito e faço palestras, vejo gente indignada, plateias jovens que têm consciência do que é preciso fazer", diz o promotor do MPD. "E muita gente por lá já sabe que a corrupção não é exclusiva dos políticos."

Desafios. O filósofo e professor de Ética Roberto Romano, da Unicamp, acha que tais protestos "têm tudo para vingar", mas não aposta em sua transformação num grande movimento nacional. "Esses grupos são novos, não têm a organização de uma UNE ou dos partidos. Terão ainda de enfrentar o ridículo fabricado por associações pelegas". Aos olhos do professor, falta aos grupos uma certa vivência e mais conteúdo. "Não vi ninguém falando contra o foro privilegiado, contra os superpoderes dos donos dos partidos políticos". Romano lembra que há uma enorme distância entre gritar contra a corrupção e acabar com ela.

Entusiasta da causa, Sonia Barboza, da ONG Voto Consciente, não aceita as comparações feitas com o movimento "Cansei", promovido em 2007 e que ficou caracterizado como de direita. "Esses ataques acontecem quando as pessoas se sentem cobradas. Os vereadores da Câmara, que fiscalizo há muito tempo, nos dizem coisas assim a toda hora."

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