Moção pede presença do exército nas ruas de Campinas

A intervenção do Exército na região de Campinas continua em discussão. Depois de a Organização Não Governamental Viva Campinas solicitar as Forças Armadas na rua, o Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas (RMC) aprovou moção do prefeito de Sumaré, Dirceu Dalben (PPS), para que soldados militares auxiliem na segurança de distritos policiais, cadeias, penitenciárias e fóruns das 19 cidades da RMC. A moção deveria ser encaminhada hoje, pelo presidente do Conselho, o prefeito de Vinhedo Milton Serafim (PSDB), à Secretaria Estadual de Segurança Pública, à Administração Penitenciária Estadual e ao Ministério da Justiça. "É uma reivindicação justa. O Exército tem o dever de proteger instituições constitucionalmente instituídas", disse o secretário adjunto da RMC e secretário de Governo de Vinhedo, Eliazar Ceccon. Segundo o secretário, a segurança pública passa por um momento crítico. "Os bandidos estão desafiando poderes constituídos", alegou. Ceccon explicou que a RMC criou a Câmara de Segurança para que seja feito um levantamento de todas as informações disponíveis sobre violência e segurança nas 19 cidades da região. A Câmara de Segurança será oficialmente instituída no próximo dia 27 e terá cerca de um mês para apresentar o primeiro relatório.Depois de levantadas, as informações serão analisadas por técnicos e especialistas, que ajudarão a desenvolver um programa de segurança para a região. "São necessárias medidas práticas para combater o problema", disse o secretário. O diretor da Viva Campinas, Agostinho Tavolaro, apóia a moção e insiste na decretação do Estado de Defesa em Campinas, com intervenção das Forças Armadas na ruas. Apesar da boa intenção, a presença do Exército na cidade tem muitos opositores, inclusive a prefeita de Campinas, Izalene Tiene (PT) e o representante do governo estadual junto à RMC, o secretário metropolitano de Transportes, Jurandir Fernandes. Izalene defendeu que a segurança pública é atribuição estadual. Fernandes alegou que o Exército deve atuar no combate ao contrabando de armas e ao narcotráfico nas fronteiras do País e não nos municípios. Medidas Independente das discussões sobre o auxílio do Exército, a Polícia Civil e o Poder Judiciário de Campinas adotaram medidas de proteção. No Fórum, no centro da cidade, policiais armados e treinados fazem a vigilância na área externa e no interior dos cinco andares do prédio. Veículos não-oficiais estão proibidos de estacionar nos arredores, banheiros foram fechados e o fluxo de pedestres será controlado em vários pontos das calçadas em torno do edifício. As medidas foram anunciadas pelo diretor do Fórum, o juiz José Henrique Rodrigues Torres, depois de ameaças e dos ataques ocorridos a sedes do Poder Judiciário em cidades do Estado. No prédio de Campinas funcionam dez Varas Cíveis, quatro Criminais, a Vara do Júri, dois anexos da Fazenda Pública e o Juizado de Pequenas Causas. No local, freqüentado diariamente por cerca de três mil pessoas, trabalham 22 juízes e 700 funcionários. O diretor alegou que as medidas são uma maneira de garantir a segurança no Fórum e mostrar que o Poder Judiciário não pode se intimidar ante ameaças de bandidos.Na Polícia Civil de Campinas, as medidas, anunciadas pelo delegado seccional Miguel Voigt Júnior, incluem identificação dos que recorrem aos quatro distritos de plantão durante a noite, instalação de portas giratórias, de câmeras de vídeo para monitorar o movimento e de detetores de metais em todas as unidades da Polícia Civil de Campinas. Segundo o delegado, os equipamentos serão instalados por meio de parcerias com o setor privado e Conselhos Municiais de Segurança. O Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) fará segurança externa nos distritos que mantêm plantão noturnos. As portas poderão ser fechadas em caso de ameaça, como ocorreu esta semana no 9º DP, no Jardim Amazonas.

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