Mocidade aborda artesanato com modernidade

A Mocidade Independente entrou da Marquês de Sapucaí às 2h50 deste domingo para cantar o samba-enredo "Futuro no pretérito, uma história feita a mão". Marcada nos últimos anos pelo estilo hi-tech, o desafio da escola foi manter o ritmo, mesmo com Artesanato como tema principal. O carnavalesco Alex de Souza usou andróides e cyborgs para fazer um contraponto entre o império da máquina e a simplicidade do que é feito a mão. A escola, penúltima a desfilar, mostrou um carnaval cheio de efeitos de luz, muito brilho e mulheres bonitas. Mas não empolgou o público e muito menos se mostrou inventiva como em anos passados, fazendo um desfile quase monótono. O verde-e-branco de seu pavilhão pouco apareceu na avenida - a Mocidade mostrou-se dourada, seja nos carros alegóricos, seja nas fantasias de seus 4.500 integrantes, que não pareciam empolgados (a todo momento, os diretores de ala ordenavam, em vão: ?Cantem o samba! Cantem o samba!?). Pelo menos as baianas foram vestidas com as cores da escola. A fantasia delas tinha pompons verdes, em tons claro e escuro, fazendo um belo efeito para a platéia. A comissão de frente trazia um grande livro, no qual um integrante, vestido de Adão, ocupava o lugar da ilustração. De tempos em tempo, o passista era ´expulso´ do desenho e a alegoria virava para mostrar a passagem da população pela época da robotização do mundo. A coreógrafa Claudia Ribeiro acompanhou, durante todo o percurso, os passos dos integrantes. O carro abre-alas era uma metáfora do filme "Metrópolis", lançado em 1927, com o carro cheio de operários. A idéia foi mostrar como a sociedade imaginava o futuro com o domínio da industrialização. Destaque para o carro que trazia esculturas como se fossem de barro, misturadas a pessoas fantasiadas de bonecos de barro. A caracterização era tão perfeita que, não fosse pelos movimentos, seria difícil perceber o que era humano e o que era inanimado. A bateria cumpriu a promessa do mestre Jonas e surpreendeu o público. Algumas vezes durante o desfile, os 250 ritmistas, que representavam as feiras nordestinas, faziam silêncio por 15 segundos. Além da madrinha, a Mocidade contava com um rei da bateria. Ao fim, a Mocidade fez um tributo aos artesãos do carnaval: costureiras, operários, esculturos, ferreiros e tantos outros trabalhadores que se dedicam por meses às agremiações, a fim de ver o resultado na avenida. A escola de Padre Miguel não esqueceu de demonstrar solidariedade à família do menino João Hélio Fernandes, de seis anos, assassinado na semana retrasada. Uma faixa pedia justiça pela morte do garoto. A mensagem foi carregada pela rainha da bateria, Janaína Barbosa, e a musa, Tatiana Tagong. As duas discutiram por meio da imprensa no período pré-carnavalesco e agora, na Sapucaí, não se falam, mesmo lado a lado. Colaborou Roberta Pennafort

Agencia Estado,

19 Fevereiro 2007 | 04h10

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