Mocidade comemora cinqüentenário com desfile emocionante

Sem erros, com fantasias luxuosas, a Mocidade fez um bonito e emocionante desfile para comemorar seu cinqüentenário. A bateria de mestre Jonas deu um show à parte - com direito a paradinhas, coreografias e outras inovações. A escola levou para a avenida o enredo "A vida que pedi a Deus. A proposta parecia confusa. Cavaleiros do Apocalipse transformados nos Cavaleiros da Apoteose (paz, fartura, saúde e equilíbrio), trazem melhor qualidade de vida e comemoram os 50 anos da escola de Padre Miguel. Mas a Mocidade conseguiu contar sua história com correção. A emoção tomou conta principalmente da rainha da bateria, a atriz e modelo Viviane Araújo, e do presidente da escola, Paulo Vianna, que chorou muito ao fim da apresentação da escola. "Era esse o desfile que eu queria fazer. O campeonato seria o melhor presente para nossa escola, que está no Grupo Especial e nunca caiu", disse Vianna. Já Viviane acompanhava a coreografia da bateria, e cada vez que os ritmistas se ajoelhavam para saudar a platéia, a modelo quase ia às lágrimas. Mas não foi simples ganhar o público. Uma das inovações da bateria foi dividir-se em dois grupos em frente aos setores 1 e 3. Quando os músicos entraram em silêncio e seguiram em direção ao recuo sem o tradicional cumprimento aos setores populares, houve uma imensa vaia. O público chegou a jogar na avenida as bandeiras da escola. O protesto foi silenciado com uma bela apresentação do hino nacional. Na bateria de Mestre Jonas, um estreante - o ator Rodrigo Santoro apresentou-se pela primeira vez no sambódromo. "É o local mais difícil, mas ensaiei na quadra e estou preparado", disse o ator, pouco antes do desfile. Ele reconheceu que não ensaiou tanto quanto gostaria por causa dos compromissos com a filmagem de Trezentos de Esparta, nos Estados Unidos. Palmeira, o homem orgânico A Mocidade mostrou as mazelas - fome, peste, morte, guerra - e o que quer para a humanidade: paz, equilíbrio, fartura e saúde. No carro da fartura, o destaque foi o ator Marcos Palmeira, que veio como "homem orgânico", referência ao seu sítio onde cultiva alimentos sem agrotóxicos. "Foi um desfile emocionante. É difícil comparar, mas esse foi especial, talvez por ser o cinqüentenário", disse o ator, que se considera "adotado" pela escola. O carro da saúde trouxe alegorias que lembravam o DNA. Não funcionou. Já o abre-alas, a Máquina da Alegria, onde um trem se transformava numa espaçonave e lembrava os campeonatos vencidos pela Mocidade, fez bonito. Na concentração, ele chegou a sofrer um princípio de incêndio - nada que atrapalhasse os efeitos ou a escola. O desfile foi encerrado pelo carro Identidade Tupiniquim, que lembrava o enredo que a escola levou para a avenida em 1987 e lhe rendeu o campeonato. Havia "ruas" com o nome de ex-carnavalescos da escola como Renato Lage e Fernando Pinto. A comissão de frente formada por 15 moradores da comunidade, sem experiência em dança, mostrava a luta entre o bem e o mal. Sete monstrinhos faziam as vezes daqueles que fomentam essa guerra. A coreógrafa foi a bailarina Ana Botafogo, que estreou no papel. "Cumpri minha função. Foram quatro meses de ensaios exaustivos. A coreografia era bem complexa. Espero que os jurados e o público tenham gostado", disse. Não empolgou. Mas também não tirou o brilho de um dos carnavais mais bonitos que a Mocidade fez nos últimos anos.

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