Mocidade mistura sagrado e profano com samba empolgante

Escola retratou os diferentes paraísos, religosos ou não; tom crítico marcou desfile na Marquês de Sapucaí

Gabriel Pinheiro, estadao.com.br

15 de fevereiro de 2010 | 22h26

 

RIO - Abrindo a segunda noite de desfiles na Marquês de Sapucaí, a Mocidade Independente de Padre Miguel trouxe um samba que contagiou o público para brincar sobre paraísos - religiosos ou não. Se o carro abre-alas era representação do paraíso bíblico de Éden, os últimos mostravam paraísos fiscais e lavagem de dinheiro.

 

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O tom crítico foi um dos pontos altos do desfile. Ao falar de consumo, a Mocidade chamou a atenção, por exemplo, para as compras desenfreadas em shopping centers. O desfile terminou dentro do limite de tempo, de 82 minutos.

 

O enredo "Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura", desenvolvido pelo carnavalesco Cid Carvalho, foi entoado aos gritos pelos componentes da agremiação, que contagiaram as arquibancadas e camarotes com o samba na boca e nos pés.

 

Apesar da eficiência do samba, porém, a tentativa de descrever o Éden não foi bem sucedida, e a maior parte das fantasias e carros da escola não conseguiu comunicar ao público a intenção de Carvalho de, segundo ele, mostrar que o paraíso está dentro de cada um.

 

 

Sem vencer desde 1996, escola gastou cerca de R$ 6,5 milhões em seu carnaval. A agremiação também caprichou em sua comissão de frente, com jovens bailarinos profissionais interpretando Adão e Eva. A grande presença do desfile ficou com a madrinha da bateria, Elza Soares, cuja participação era um mistério até minutos antes do desfile - uma torção no pé quase deixou a cantora longe do carnaval.

 

Em pé, sobre um pequeno carrinho de rodas desenvolvido especialmente para ela, a cantora balançou e cantou numa vibrante superação da limitação física. "Viria nem que fosse desmaiada", dizia ela, que não desfilava na Mocidade desde 1975, antes do início do desfile. Os cerca de 4,5 mil componentes estavam divididos em 38 alas e 7 carros alegóricos.

 

(Com Jacqueline Farid, de O Estado de S. Paulo)

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