Modelo nega que tapa-sexo tenha caído na Sapucaí

Sair numa escola era um sonho que modelo goiana de 25 anos acalentava há muito tempo

Roberta Pennafort , O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2008 | 16h47

No centro da polêmica sobre a exposição de sua genitália desnuda na Sapucaí, no desfile da São Clemente, Viviane Castro disse nesta quinta-feira, 7, que está "muito triste". Ela sustenta que não estava nua. Garante que usou um tapa-sexo - de 3,5 centímetros -, que não caiu durante sua passagem pela Passarela do Samba. "Estava bem colado, com Super Bonder. Tanto que tive que ficar meia hora numa banheira de água quente para descolar. Fui tão original que confundi os jurados", afirmou a modelo goiana de 25 anos, estreante no carnaval no Rio. Sair numa escola era um sonho que Viviane acalentava há muito tempo, desde que assistia aos desfiles pela televisão, em Brasília, onde mora. "Quando vi pela televisão que a escola ia perder ponto por minha causa, fiquei com o olho cheio d'água. Estava lá realizando um sonho e não quero ser tachada como vilã nessa história", disse ao Estado na tarde desta quinta-feira, 7, por telefone.  "Só fico tranqüila porque sei que fiz tudo dentro das regras. Minha intenção era entrar para o Guiness (o livro dos recordes) por usar o menor tapa-sexo do carnaval. Não queria essa polêmica toda. Se a São Clemente me aceitar, volto no ano que vem, ou então em outra escola", acrescentou. Em seu perfil no Orkut, ela se define como uma "menina-mulher" "ousada e atrevida". As regras são bem claras: na seção que dispõe sobre as obrigações das agremiações, está explicitado que elas precisam "impedir a apresentação de pessoas que estejam com a genitália à mostra, decorada e/ou pintada." A norma passou a valer em 1990, um ano depois de a ex-modelo Enoli Lara ter desfilado na União da Ilha com nada além de um véu, um adereço de cabeça e sandálias. Segundo o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, a medida tem como objetivo preservar os menores de idade que participam do espetáculo, e também não "desvalorizá-lo".  Pelas fotografias publicadas nos jornais, ficou parecendo que o adereço se deslocou no corpo de Viviane no decorrer do desfile - o que pode ter acontecido por causa do suor, da chuva e dos movimentos da modelo. Castanheira garante que, nas fotos feitas pela liga, Viviane aparece nua, sim."Descobridor" de Viviane, o produtor Kiko Alves se diz abalado. Ele conta que utilizou nela um tipo de tapa-sexo já usado, oito anos antes, por Viviane Araújo, outra "apadrinhada" por Alves (hoje ela é rainha de bateria do Salgueiro). A diferença é que o da modelo goiana, que representava uma índia, era bem mais reduzido. Ele citou ainda as modelos Rachel Blanch e Renata Santos como outras que usaram tapa-sexo parecido em outros carnavais. Alves explicou que o adereço é feito de papelão grosso, forrado com "arame fininho", colado ao corpo com Super Bonder (a cola é passada só na parte de cima). A pele é protegida por um emplastro. Para ele, o fato de Viviane ter desfilado com uma tinta sobre o corpo, que a deixou com uma tonalidade mais parecida com a das índias, pode ter uniformizado a pele de tal maneira, que pareceu que a genitália estava de fora.  "Fiquei chateado. Ela foi a mulher mais fotografada da avenida e não tem uma foto sequer em que ela está nua", disse Alves. Ele rechaçou as críticas do carnavalesco da São Clemente, Mauro Quintaes, para quem o risco deveria ter sido calculado ainda na concentração. "Ele deveria saber que os índios não têm pêlos pubianos. A diretoria da escola viu tudo." O produtor se sente injustiçado. "Mas se Van Gogh e Portinari já foram mal interpretados e chamados de loucos, por que eu não posso ser? Aposto que no ano que vem vai estar todo mundo me copiando."

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