Modernização da CPTM custará US$ 1 bi ao Estado de SP

O governo paulista pretende definir até o meio do ano o projeto de modernização da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. A CPTM tem uma rede ferroviária de 275 quilômetros de extensão e transporta um milhão passageiros/dia, volume considerado pequeno se comparado ao do Metrô: 59 quilômetros de linhas e 2,6 milhões de passageiros/dia. A meta é ampliar em 500 mil passageiros/dia o movimento nos trens da CPTM, em quatro a cinco anos. Para conseguir aumentar a oferta, avalia o secretário Jurandir Fernandes, é necessário um investimento de cerca de US$ 1 bilhão."A meta é chegar aos dois milhões de usuários/dia em seis a oito anos e triplicar em 12 a 15 anos, tendo três milhões de passageiros por dia", disse Fernandes. O custo da modernização da CPTM - trens, estações, garagens para manutenção, subestações elétricas, automação das linhas -, não tem como ser resolvido sem parceria com a iniciativa privada, resume Fernandes. Mas, independente do modelo adotado - concessão, por exemplo, semelhante ao das rodovias -, Fernandes destaca o fator da taxa cambial como o grande "complicador" do processo. "Estamos estudando uma função matemática, tentando encontrar uma forma de suavizar esse problema, para que o impacto de uma variação cambial possa ser absorvida de forma mais suportável", disse. Uma das alternativas é a contratação de um seguro cambial, junto a grandes grupos seguradores. "Mas isso também tem um preço. Vamos ver como a iniciativa privada encara essa proposta", disse Fernandes. Ele lembra que a maior parte do material - sistemas, componentes -, é comprada de fornecedores internacionais e além disso, as próprias empresas nacionais vão em busca de capital externo para financiamento."O resultado, infelizmente, é que esses investimentos são em dólar e, quando acontece um salto abrupto, os parceiros privados querem a correção em IGP-M, índice que contempla o dólar", disse. "Aí, nós levamos aquela cacetada e a população não entende, e não é para entender mesmo, porque os salários são corrigidos pelo INPC e, de repente, ela tem que pagar o pedágio corrigido pelo IGP." Por isso, ele ressalta que, ao contrário do que ocorreu nas concessões rodoviárias, a tarifa dos trens não poderá ter o mesmo tratamento que os valores de pedágio."Vamos ter que fazer um processo reverso. Não dá para fazer o cálculo do que estamos investindo e quanto é a tarifa", afirma o secretário. "Vamos ter de saber que a tarifa é tanto, fixando antecipadamente quantos passageiros tem em potencial, ver qual é a receita e o que pode ser feito com esse valor. Não podemos é pensar que poderemos transferir o custo para a receita. O povo não suporta", completou. Outra alternativa, segundo Jurandir Fernandes, é o governo bancar a diferença que é cobrada na tarifa. "Nesse caso precisa haver uma previsão financeira muito boa, senão o sistema explode", argumenta. Fernandes acredita que, com base em estudo realizado pela Hidroservice, no final de 2002, sobre a concessão da CPTM, até o final de março haverá elementos para se fechar uma proposta a ser levada ao governador Geraldo Alckmin. "Em seguida, vamos chamar a iniciativa privada para discutir e ouvir sugestões e críticas sobre o modelo, corrigir o que for necessário, para então partir para um edital", informa. "Não estamos querendo reiventar a roda mas queremos ser francos: a capacidade de investimento do Estado está no limite e a CPTM será modenizada em 20 a 30 anos ou em dez anos, se for em parceria com a iniciativa privada."

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