Monitores da Febem de São Vicente param em protesto

Monitores da Febem de São Vicente, inaugurada há três meses no quilômetro 67 da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, realizaram hoje uma manifestação de protesto na porta da unidade, recusando-se a entrar para o trabalho e exigindo maior segurança para os funcionários. "Agora as coisas se inverteram: ladrão e assassino viraram menor carente e trabalhador virou bandido", estava escrito em uma faixa estendida na porta da unidade, onde foi realizado o protesto. O presidente do Sindicato dos Funcionários da Febem, Antonio Gilberto da Silva, afirmou que o movimento será mantido por tempo indeterminado, até que as reivindicações dos funcionários sejam atendidas.De acordo com o sindicalista, o número de agentes de proteção é insuficiente para cuidar dos 48 adolescentes que se encontram no local, considerados extremamente agressivos e violentos com os próprios colegas e também com os monitores. "Quinze funcionários encontram-se afastados por terem sido machucados em rebeliões", disse, denunciando ainda a direção da unidade, que estaria omitindo informações a respeito dessas ocorrências. Ele disse que, na última rebelião registrada naquele estabelecimento, a Polícia Militar teve de intervir, atirando para o alto e distribuindo coronhadas nos menores mais violentos. Por medo de represálias, os funcionários não quiseram se identificar. Mas fizeram muitas denúncias: "O trabalho pedagógico anunciado pelo governo é pura hipocrisia aqui dentro, onde o clima de insegurança é o que mais assusta". "Absurdos"A Febem, por intermédio de sua assessoria de imprensa, considerou absurdas as denúncias feitas pelo sindicalista Antonio Gilberto da Silva, de que existem 15 funcionários da unidade de São Vicente afastados em decorrência de incidentes registrados em rebeliões. Por medida de segurança, a instituição não informa o número de funcionários, mas nega a ocorrência de rebelião, lembrando que, embora tenha sido inaugurada em dezembro, a unidade vicentina começou a funcionar efetivamente há cerca de um mês.De acordo com a Febem, o número de servidores é suficiente para cuidar dos 48 adolescentes internados. "O quadro está completo e apenas dois funcionários foram demitidos por inadequação funcional, já que não se adaptaram com o sistema de trabalho na Febem", informa a assessoria, destacando que o projeto pedagógico anunciado pela instituição está sendo implantado, com a previsão de cursos profissionalizantes de panificação e computação.

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