"Monstro" insiste: não mandou matar Celso Daniel

Ivan Rodrigues da Silva, o "Monstro", disse hoje, num longo depoimento à polícia, que o prefeito de Santo André Celso Daniel (PT) foi escolhido para ser seqüestrado por causa da Pajero importada em que viajava. Na presença do advogado e deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), reafirmou que mandou soltar o prefeito e a decisão da execução foi do responsável pelo cativeiro, José Edson da Silva. "Quero ver ele falar na minha cara que mandei sumir com o homem."O grupo de Monstro, na noite do seqüestro, em 18 de janeiro, era formado por oito ladrões. Numa Blazer e num Santana seguiam uma Dakota ocupada pelo presidente do Ceasa, a vítima que tinham escolhido. "Perdemos a Dakota na Anchieta e saímos para procurar uma zóia (carro importado na gíria do bandido). Decidimos pela Pajero que estava em velocidade maneira (moderada)."Monstro, suspeito de ter praticado dez seqüestros nos últimos 60 dias, segundo o delegado Edson Santi, responsável pela prisão, foi firme em suas declarações. Alegou que passou a seqüestrar, mesmo sabendo que a polícia o procurava, porque precisava de dinheiro e costumava manter, em média, três vítimas no cativeiro ao mesmo tempo.Confessou ter tirado o prefeito da Pajero e levado Celso Daniel para a Favela Pantanal. "Decidi deixar o motorista (o empresário Sérgio Gomes da Silva) por causa do barulho com os tiros disparados na Pajero." Temia que algum morador tivesse chamado a polícia. Disse que o prefeito só pedia calma."Em momento algum falou quem era. Para mim, era uma vítima normal. Fiquei sabendo que tínhamos apanhado a pessoa errada na manhã de sábado pela televisão. O noticiário só falava do prefeito."O celular de Celso Daniel, que ficara com Monstro, foi entregue a Itamar Messias da Silva. "Não sei se vendeu ou jogou fora." Celso Daniel chegou no fim da noite de sexta-feira ao cativeiro da Favela Pantanal. Os ladrões tiraram tudo que havia nos bolsos do prefeito e dividiram o dinheiro.Na madrugada do sábado, Celso Daniel foi levado para Juquitiba por José Edson da Silva no porta-malas do Santana. "O Zé (José Edson) e o Lalo (o menor LSN, que confessou ter dado os tiros no prefeito) eram os encarregados do cativeiro e da vítima."LibertarO seqüestrador declarou que telefonou para o celular de José Edson às 22 horas de sábado e mandou libertar o prefeito. "Falei para ele soltar e não ´sumir com a bomba´, como o Zé falou."No fim da manhã de domingo, ao saber pela televisão que o corpo do prefeito fora encontrado, Monstro foi até a casa de José Edson no Capão Redondo. "Ele me disse que resolvera matá-lo porque o homem vira o rosto dele e iria denunciá-lo. Resolvemos fugir de São Paulo."Monstro será ouvido amanhã no Deic por policiais da Corregedoria da Polícia Civil do Paraná. Preso em Maringá, em março, foi libertado mediante o pagamento de um carro e dinheiro. Ele não confirmou o suborno.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.