Morador da zona leste sofrem com mais uma greve de ônibus

Moradoras da Penha, na zona leste de São Paulo, a dona de casa Alzira Leandro, de 50 anos, e a filha Tiane, de 30, sofreram nesta terça-feira com mais uma greve de ônibus e cobradores na cidade. Deficiente física, Tiane tentava desde as 6 horas pegar um ônibus para fazer perícia médica no posto do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Sapopemba. Ao meio-dia, as duas ainda não haviam chegado ao local.?Pegamos quatro ônibus, mas não chegamos ao posto porque eles param antes. Se perder, não vou conseguir me aposentar?, disse Tiane, que tem problemas de pressão. Ela tentava pegar o quinto ônibus no terminal Aricanduva, fechado por causa da greve.De manhã, um lotação recusou-se a levá-la porque já havia outro não-pagante no veículo. ?Insisti com o motorista. Disse que precisava fazer o exame, mas não adiantou.? O perueiro, disse ela, quase passou sobre sua perna, já inchada por causa do tempo que teve de permanecer em pé.O programador de computadores Henrique Silva, de 19 anos, mora na Cidade A.E. Carvalho e trabalha na Vila Formosa. Nesta terça, não conseguiu chegar no horário. Às 9 horas, quando costuma entrar no serviço, Silva caminhava pela Avenida Águia de Haia depois de encontrar o terminal de ônibus fechado. ?Só Deus sabe quando vou conseguir chegar. Nem fiquei sabendo que ia ter greve?, disse Silva.A paralisação da categoria só foi decidida na tarde desta segunda-feira. Ele ia andar dois quilômetros até a Estação Artur Alvim do Metrô e, de lá, tentar chegar ao trabalho. Só conseguiu às 11 horas, depois de pegar três ônibus. ?Foi terrível.?VandalismoA cabeleireira Maria de Lurdes Silva saiu de casa, em Guaianases, às 6 horas e voltou meia hora depois. Motoristas em greve depredavam ônibus da empresa Expresso Paulistano na Avenida Ragheb Choufi. Com medo, ela ficou em casa até as 9 horas e só depois voltou ao ponto, para ir trabalhar no Itaim-Bibi, zona sul. ?Era muita bagunça.?Os grevistas furaram pneus e quebraram janelas de 15 ônibus. Passageiros foram retirados à força. Motorista de um dos veículos, Odair José de Oliveira reclamou que, em vez de prender os piqueteiros, os PMs discutiam e empurravam profissionais que estavam trabalhando. Os grevistas fugiram e os veículos foram retirados por guinchos da São Paulo Transporte (SPTrans).VestibularPassageiros de outras regiões também foram prejudicados. A estudante que se identificou como Andrea chorava na frente da Escola Politécnica, na Cidade Universitária. Moradora de Guarulhos, ela saiu às 10 horas de casa e ficou mais de uma hora esperando um ônibus na Estação Armênia do Metrô. Chegou atrasada para a prova de geografia da Fuvest, que começava às 13 horas.

Agencia Estado,

07 de janeiro de 2003 | 20h44

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