Morador muda rotina para fugir de congestionamento

Vigia optou por trocar de emprego; até caminhos alternativos têm lentidão

Camilla Rigi e Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

O transtorno causado pelo aumento no trânsito na Rodovia Raposo Tavares fez moradores e trabalhadores da região mudarem sua rotina para fugir dos congestionamentos. "Quando trabalhava em Pinheiros, teve um dia que saí às 5 horas da minha casa, em Vargem Grande do Sul, e cheguei às 9 horas no trabalho", lembra o vigia Jean Paulo D?Angele. Há quatro meses, ele trocou o trabalho em São Paulo por um em Cotia, um pouco mais perto de casa.O vigia conta que tinha de acordar cada dia mais cedo para não chegar atrasado no serviço. "O tempo que poderia estar em casa ou trabalhando, eu estava dentro do ônibus, parado no trânsito." O ponto crítico da rodovia, segundo D?Angele, é o km 21. "Quando chegava lá, eu via como estava. Se estivesse congestionado, eu já ligava para o meu patrão para dizer que ia atrasar." Hoje o vigia atrasa, no máximo, 10 minutos para chegar à escola onde trabalha. Segundo especialistas em trânsito, a cada 20 minutos parados em congestionamento, um veículo médio de passeio consome 1 litro de gasolina. Se for considerado o preço médio da gasolina comum, R$ 2,39, chega-se ao gasto de R$ 0,12 por minuto parado. Uma hora parado na Raposo Tavares causaria um prejuízo de R$ 7,17 por dia, R$ 143,40 por mês ou R$ 1.720,80 por ano. A perda de tempo e dinheiro também motivou o publicitário João Lino da Silva a mudar sua vida. Morador da Granja Viana, viajava todo dia até o Campo Belo, na zona sul de São Paulo, para trabalhar. Como a agência é dele, decidiu que a melhor forma de evitar passar horas no trânsito era mudar a empresa para perto de casa. "Agora consigo almoçar em casa e voltar. Mas tenho amigos que têm dois imóveis. O de São Paulo é para quando têm compromisso e precisam chegar na hora." Os moradores da região reclamam que até os caminhos alternativos já estão ficando congestionados. "Sempre que dá passo por dentro dos bairros, mas muita gente também já faz isso", diz a coordenadora de produção Renata Martins. Ela já demorou meia hora para percorrer pouco mais de 1,5 quilômetro de casa, na Granja Viana, até a entrada de São Paulo.

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