Moradora de favela no Rio diz ter visto policiais matarem Juan

Em entrevista ao 'Jornal Nacional', mulher afirma que sofá onde o corpo esteve foi queimado

Tiago Rogero, estadão.com.br

08 Julho 2011 | 21h14

RIO - Um forte esquema policial foi montado nesta sexta-feira, 8, para a reconstituição dos últimos momentos de Juan de Moraes, de 11 anos, morto após operação policial do 20.º BPM (Mesquita) na comunidade Danon, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Os acessos ao beco onde o garoto foi visto pela última vez, na noite do dia 20, foram isolados. No local do crime, havia só testemunhas, peritos e suspeitos.

 

Uma moradora da favela disse hoje, em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, ter testemunhado o assassinato de Juan por policiais militares. "Primeiro eles mataram o bandido, depois o Juanzinho correu. Eles mataram o Juan e esconderam (o corpo) debaixo de um sofá. Trinta minutos depois, pegaram o corpo e jogaram na viatura", disse a dona de casa, que não foi identificada. O sofá tinha sido abandonado perto do beco onde Juan foi morto. "No dia seguinte, eles (os policiais) vieram e queimaram o sofá para não ter provas", acrescentou.

 

A reconstituição começou por volta de meio-dia desta sexta-feira, sem os quatro policiais suspeitos de envolvimento no crime - eles afirmaram ter trocado tiros com traficantes na noite em que Juan desapareceu. A perícia técnica da Polícia Civil esperava a presença deles durante o dia, mas o advogado dos militares, Edson Farias, disse que "o fato investigado aconteceu após as 20h, e por isso seria ilegal se a reconstituição ocorresse antes". À noite, eles chegaram para participar da reconstituição. O advogado afirma que eles são inocentes.

 

O corpo de Juan foi encontrado na última quinta-feira, perto de um rio, a 18 km de onde ele morava. Inicialmente, foi confundido por uma perita da Polícia Civil com o de uma menina. Às 11h, a perícia começou a fazer marcações dos locais onde cada pessoa estava nos momentos que antecederam o desaparecimento do menino Juan. O irmão do garoto, Weslley, de 14 anos, era esperado, mas não compareceu.

 

Atingido por tiros na operação da PM do dia 20, o adolescente fugiu em busca de ajuda e disse que viu Juan baleado no chão. Quando os familiares dos dois foram ao local, o menino já havia desaparecido. Weslley foi incluído no Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente Ameaçado de Morte.

 

O vendedor Wanderson da Silva Assis, de 19 anos, que também foi baleado e incluído no programa, participou da reconstituição. Ele chegou ao beco em uma cadeira de rodas, com uma máscara que escondia todo o rosto e óculos escuros. Wanderson recebeu alta do hospital na segunda-feira e precisa do apoio de muletas para ficar em pé.

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