Moradora de rua agredida agora está sumida

A Pastoral do Povo de Rua da Igreja Católica procura a moradora de rua Shirlei Soares de Moraes, 54 anos, desaparecida das ruas da Liberdade, onde morava. Ela foi agredida pelo soldado da PM Marcos Martins Garcia, 30 anos, na véspera da segunda série de ataques a moradores de rua no Centro de São Paulo, dia 20 de agosto. Garcia e o soldado Jayner Aurélio Porfírio estão presos temporariamente desde quinta-feira sob suspeita de participação na morte dos mendigos. Eles ainda são acusados de integrar uma rede de tráfico de drogas, extorsão a criminosos e segurança clandestina na região central. As buscas pela moradora de rua começaram há uns dez dias, depois que uma testemunha contou a policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa DHPP que viu a mulher ser espancada pelo PM Garcia. O objetivo é saber, com a vítima, o motivo do espancamento. O padre Júlio Lancellotti, que tem auxiliado a Polícia Civil a localizar testemunhas dos crimes, teme que a mulher esteja morta, apesar de nenhum corpo com características semelhantes ao dela ter sido localizado. "Ela está sendo procurada por todos os representantes, inclusive pelo companheiro dela, o Franklin. E ninguém a encontra. Os moradores de rua falam que ela pode ter morrido." Um dia depois da agressão, às 5h40 do dia 22, uma moradora de rua, identificada apenas como Maria, foi assassinada com um golpe na cabeça, enquanto dormia ao lado de Shirlei. O golpe fatal não deu chance à vítima de esboçar nenhuma reação ou ruído. A denúncia de agressão de Shirlei não é a única no histórico do PM Garcia. Nos últimos dois anos, ele teve três anotações de falta grave em sua ficha funcional. Em fevereiro de 2002, foi autuado em flagrante por disparo de arma de fogo na Zona Leste. Na época, Garcia alegou que tentou se defender de uma agressão, provocada pelo amante de sua ex-mulher. Em junho, também de 2002, o policial foi acusado do crime de atentado ao pudor e, em setembro do mesmo ano, agrediu a ex-mulher. Há 15 dias, o corpo do amante de sua ex-mulher foi encontrado na Zona Leste. A sucessão de episódios violentos envolvendo o nome de Garcia provocou a suspeita nos colegas de polícia de que ele também poderia estar envolvido nesse assassinato. A Pastoral do Povo de Rua da Igreja Católica promove ato pela paz em São Paulo. A manifestação começa às 15h na escadaria da Praça da Sé, onde será apresentada a peça Ghandi. Em seguida, haverá passeata até o Largo São Bento. "O objetivo é demonstrar a nossa tristeza e repúdio à violência contra a população de rua", afirma o padre Júlio Lancellotti.

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