Moradora teme que próximo governo pare os trabalhos

Jovem desempregado, cuja mulher trabalha no PAC, não culpa o governo por não encontrar uma vaga

, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2010 | 00h00

Dina tem uma visão mais crítica do serviço de saúde. Ela conta que começou a sentir dor no braço na semana anterior. Foi ao Hospital Rodolpho Rocco, mas o aparelho de raios X não estava funcionando. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) inaugurada recentemente no Alemão pelo governo estadual, disseram que não era emergência e a encaminharam à Guanabara, uma clínica particular conveniada com o SUS. Teve de chegar às 4h porque lá só atendem 15 pessoas por dia, e de pagar R$ 50 por uma radiografia. Ainda precisou ir ao Getúlio Vargas, hospital federal, fazer ressonância magnética. Dina conclui: "Graças a Deus não fico doente, não preciso tanto. As poucas vezes que fui me decepcionei."

Costureira, ela se aposentou há três anos. Tinha um salário "razoável", mas recebia boa parte por fora da carteira. Contribuiu pouco com o INSS e recebe cerca de R$ 500 de aposentadoria. "Agora com o aumento vou ultrapassar o salário mínimo." Não está satisfeita. "Lula está sabendo enganar bonitinho todo mundo", acusa Dina. "Fernando Henrique e (Fernando) Collor foram o que foram. Lula não mostra realmente o que é."

Dina votou em Lula, e considera que seu governo foi melhor que o de Fernando Henrique. "Agora não sei em quem voto. Por mim, não votaria em ninguém, mas é pior", pondera. "Vou ser obrigada a votar na Dilma. Não conheço muito bem o que ela fez. Pode até ganhar, mas Lula vai ficar por trás, igual foi o (ex-governador Anthony) Garotinho com Rosinha (sua mulher e sucessora)."

"A Dilma sozinha vai arrasar isso aqui, vai acabar com a UPA, com tudo", diz Dina. Ao contrário de seus irmãos, ela teme que o PAC não tenha continuidade. "Eu tenho receio de que quando Lula sair fique tudo esburacado. Eles entram pensando em dinheiro. Falam em ajudar, mas querem "comer" mais ainda. Igual quando caiu Niterói", compara, lembrando os deslizamentos de abril. Dina gosta do PAC: "Acho que a obra está ficando muito boa, está saindo do aspecto de favela e virando bairro." Ela conta que, dois dias antes, sua filha de 27 anos, formada em biblioteconomia, terminando pós-graduação e empregada numa empresa do bilionário Eike Batista, passou mal, chamaram táxi e o motorista se recusou a subir o morro, com medo dos criminosos. Com as obras do PAC, acredita ela, os táxis virão. "Não precisará mais ficar implorando: "Pelo amor de Deus, moro 100 metros acima, os meninos são bons"."

Seu sobrinho Victor dos Santos Brum, de 26 anos, está desempregado desde julho de 2008. Durante quatro anos, ele trabalhou como estoquista. Pediu demissão para cuidar de sua mãe, que sofreu derrame e morreu em outubro daquele ano. Com ensino médio completo e curso de massoterapia, ele diz que procura emprego todos os dias. Mas não culpa o governo Lula pelo seu desemprego. Conseguiu vaga de segurança em uma loja, mas uma das empresas em que trabalhou não mandou seus documentos para a matriz, e não o chamaram.

Victor tira R$ 600 por mês fazendo bico como garçom em festas. Como estoquista, ganhava entre R$ 700 e R$ 800, somando salário, comissão e vale-transporte. Sua mulher trabalha há quatro meses no PAC, cadastrando casas para regularização fundiária, e recebe um salário mínimo. "O governo Lula está me deixando satisfeito pelo que vem fazendo pelas comunidades carentes", diz Victor. "As pessoas que têm situação melhor não estão gostando. Se ele pudesse se reeleger, manteria ele. Infelizmente não pode. Mas, com Dilma junto com ele nessa empreitada, vamos votar nela."

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