Moradores acusam Exército de abuso

Líder comunitária aponta invasão de casas e uso de gás pimenta

Pedro Dantas, Rio, O Estadao de S.Paulo

19 de dezembro de 2007 | 00h00

Terminou em briga o início das obras do projeto Cimento Social, marcado para ontem, no Morro da Providência, no Rio. Acompanhada de moradores, a presidente da associação comunitária, Márcia Silva, acusou militares de abusos contra moradores, arrombamento de residências e até de disparar tiros e gás pimenta na favela. "Caso o Exército se retire, as obras acontecerão sem problemas. Os militares que estão na comunidade abusam da autoridade. Das 120 casas que eles pretendem reformar, conseguiram autorização só para 11, sendo que 2 precisam de reformas estruturais antes de obras de fachada. Anteontem, 20 moradores recusaram as obras", disse Márcia. A mudança de atitude da líder comunitária surpreendeu o Comando Militar do Leste (CML). Em reunião com o general Williams Soares, comandante da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, que ocupa a favela desde quinta-feira, ela disse que a comunidade não tinha problemas com os militares e foi atendida ao pedir a redução do efetivo de 200 para 60 homens na ocupação, que pode durar até um ano.A Assessoria do CML informou que a Ouvidoria da Delegacia do quartel da Companhia do Comando do CML, em Santo Cristo, situado ao lado do Morro da Providência, não registrou nenhuma queixa da população. Segundo moradores, a tranqüilidade dos primeiros dias de ocupação se transformou em tensão após incidentes ocorridos no fim de semana. "No sábado, durante uma festa nordestina, moradores passaram mal com o cheiro de gás pimenta.Vaiamos os soldados e jogamos ovos. Um oficial pediu desculpas e disse que o spray foi disparado acidentalmente", disse a empregada doméstica Lílian Atala, de 36 anos.A polêmica sobre o projeto se arrasta desde o anúncio da iniciativa, proposta pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). O senador afirmou que o tráfico de drogas poderia estar por trás dos opositores das obras e foi ameaçado de processo pela entidade. Ontem, ele não comentou o caso.

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