Moradores da Favela Pantanal denunciam agressões

Sob o domínio do medo. É este o clima que impera entre os moradores da Favela Pantanal, na zona sul, desde que foi descoberto na área o suposto cativeiro do prefeito assassinado Celso Daniel. De acordo com moradores e líderes comunitários da favela, pelo menos seis pessoas foram espancadas por policiais militares de Diadema na noite do último domingo. Os policiais estariam tentando intimidar os moradores com o objetivo de obter mais informações sobre o seqüestro que chocou o País.Segundo testemunhas, as sessões de brutalidade dos policiais ocorreram por volta das 23h20. Nenhum deles conseguiu anotar a placa e o número do carro policial, mas garantem que era um carro da Força Tática de Diadema.Dois rapazes na Viela São Lucas, um de 17 e outro de 14 anos, estavam se preparando para pular o carnaval quando foram abordados por quatro policiais. "Meus dois filhos conversavam com eles na porta de casa. Ao ver os PMs, gritei para que entrassem, mas os outros dois ficaram lá", disse uma dona de casa de 35 anos, que tem medo de se identificar.Os policiais então começaram a agredir os dois rapazes, fazendo-os deitar de bruços no chão, aplicando pontapés. A dona de casa, grávida de cinco meses, revoltada com a atitude dos PMs tentou impedir as agressões. No entanto, teve uma espingarda calibre 12 apontada na direção da barriga."Eles me ofenderam e mandaram ficar dentro de casa, que eu não tinha nada a ver com aquilo", falou a moradora. Sua filha de 12 anos, vendo a cena, tentou socorrê-la. Como resposta dos policiais, acabou levando um tapa na cara. "Nunca pensei que seria tratada assim por um policial", disse a garota.De acordo com a denúncia dos moradores, após agredir os dois rapazes, a mãe e a filha, os PMs começaram a ofender uma mulher que estava encostada no portão de casa, observando tudo. Os policiais entraram na residência e tiraram da cama seu marido, que descansava. Até mostrar o documento de identidade, foi empurrado e levou tapas dos PMs.A sexta vítima de abuso de poder, ainda de acordo com os moradores, foi outra dona de casa, esta com 41 anos, que mora há 13 anos na Favela Pantanal. Assim como outras mulheres, ela presenciou a ação policial e não se conformou com a agressividade. "Falei para eles se acalmarem, que não precisavam fazer aquilo. Um deles me empurrou, me ofendeu com várias palavrões e apontou a arma na minha testa. Gritou para eu ficar quieta e ordenou que me trancasse em casa", relata.Para a líder comunitária Maria de Lourdes Teixeira Brito Cordeiro, que comanda o Centro de Convivência Itatinga, localizado na favela, "a PM está doente e precisa urgentemente de cura". "Só nós, que somos favelados e pobres, pagamos o pato pela falta de segurança. Por que os policiais não agridem os moradores do Brooklin, onde era o cativeiro do Washington Olivetto? Nós não temos culpa que Celso Daniel foi mantido refém aqui", revolta-se Maria.Ela ainda afirma que a polícia está usando a tática errada. "Se querem arrancar informações, desse jeito é que não vão conseguir. Desejamos ser tratados com respeito e dignidade." Outra líder da favela, Maria Elisete de Carvalho, presidente da Associação do Jardim Terezinha (um dos quatro bairros que fazem parte da Favela Pantanal), também criticou a PM. "Antes a gente se sentia seguro com a polícia. Hoje é o contrário".A Secretaria de Segurança Pública desmente as acusações e informa que não houve agressões de policiais a moradores. Mesmo assim, prometeu investigar as denúncias.

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