Moradores da Providência iniciam mutirão para acabar obras

Prefeitura prometeu que a prefeitura vai acomodar em hotéis os moradores das casas destelhadas

da Redação, estadao.com.br

26 de junho de 2008 | 14h30

Cerca de 150 moradores da Providência, em regime de mutirão, retomaram na manhã desta quinta-feira, 26, as obras do projeto 'Cimento Social' na comunidade, que tinha a proteção do Exército. As obras foram embargadas na última terça-feira pela Justiça Eleitoral. O trabalho vai se concentrar na conclusão das 32 casas inacabadas.   Veja também: Rio organizará mutirão para concluir obras em morro Polícia diz ter identificado assassinos dos jovens da Providência Justiça Eleitoral embarga obras no Morro da Providência Crivela lamenta 'contaminação política' de obras na Providência   O juiz Fábio Uchôa, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), autorizou na quarta-feira, 25, que os moradores do Morro da Providência façam um mutirão, em parceria com a Construtora Edil - que venceu a licitação feita pelo Comando Militar do Leste para execução do Projeto Cimento Social -, para concluir a reforma em 32 casas que estão inabitadas por falta de telhados. Seis empresas privadas já doaram R$ 75 mil para um fundo solidário criado ontem pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS).   Segundo a Assessoria de Imprensa do TRE-RJ, o embargo ao projeto de reformar mais de 700 casas, considerado de "cunho eleitoral", continua. Segundo decisão do juiz tomada na segunda-feira, a obra beneficia o senador e pré-candidato a prefeito Marcelo Crivella (PRB). Ao mesmo tempo em que o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) anunciava que concluiria as obras mediante acordo com o Ministério das Cidades, a prefeitura entrava na Providência com técnicos da Secretaria Municipal de Assistência Social para socorrer famílias que ficaram sem moradia, por causa da interrupção das obras. O Exército saiu da favela, dez dias após 11 militares entregarem 3 jovens na mão de traficantes do Morro da Mineira. Eles foram torturados e executados.   "Não vou discutir a continuidade das obras, porque é uma questão política. Tenho o dever constitucional de socorrer famílias em risco. Para não desrespeitar o TRE (Tribunal Regional Eleitoral), faremos tudo fora da esfera institucional, com o mutirão de moradores e doações da iniciativa privada", disse o secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia, ao se referir à proibição de doações de agentes públicos em ano de eleição.   Garcia prometeu que a prefeitura vai acomodar em hotéis os moradores das 16 casas destelhadas. Ele estimou em R$ 5 mil o custo para colocar as telhas. Entre as casas sem telhado, está a do aposentado Alberico Mesquita, de 67 anos. "Não tenho dinheiro para 'levantar'. Estou sem água, uso o banheiro de serviço e a cozinha está cheia de escombros. Tenho esperança de que a obra seja retomada."

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