Moradores de Juquitiba ouviram os disparos

Moradores da Juquitiba, onde o corpo do prefeito de Santo André, Celso Augusto Daniel (PT), foi encontrado crivado de balas calibre 9 milímetros, hoje às 7h40 da manhã, ouviram disparos durante a madrugada. O corpo foi deixado no leito de uma estrada de terra batida a 200 metros da rodovia Régis Bittencourt (BR-116), que liga São Paulo a Curitiba. O caseiro José Carlos de Souza, que toma conta de uma chácara localizada na estrada, deparou-se com o corpo quando ia para a cidade e ligou para a polícia. No local, os policiais apreendeeram oito cápsulas deflagradas.A doméstica Júlia da Silva, que mora a 300 metros, disse ter ouvido vários tiros por volta da 1h30 da manhã. Ela e o filho, Edmar, assistiam ao filme de terror A Morte do Diabo, na sala da casa, quando escutaram os disparos. "Pensei que eram fogos, mas meu filho disse que era arma de fogo". Outra moradora, Rosilda Alvarenga, também ouviu os disparos e o barulho de um carro arrancando. O delegado de Itapecerica da Serra, Alexandre Pascoal Constantinou, que respondia pelo plantão regional foi o primeiro a chegar no local. "O corpo estava em decúbito lateral, mas ainda não sabemos se foi executado ali, pois não havia sangue". Ele disse que a estrada é considerada um ponto de desova de cadáveres. Em novembro, foi encontrado o corpo de uma mulher morta com cinco tiros, e a cerca de um ano, um carro abandonado com um cadáver no porta malas.Testemunhas disseram ter visto um veículo com as características da Blazer preta usada pelos sequestradores de Daniel, por volta da meia noite, na Cachoeira de França, um bairro de chácaras lozalizado na região. A estrada onde o corpo foi encontrado dá acesso a este bairro. Também foi vista, uma Kombi branca em alta velocidade. O delegado seccional de Taboão da Serra, Romeu Tuma Júnior, que assumu as investigações, disse que a circunstâncias do crime não permite descartar nenhuma hipótese. "Sabemos que houve uma execução, mas ainda desconhecemos a motivação do crime".Ele acha que tanto pode ter sido um seqüestro com o objetivo de pedir resgate, em que os autores ao saber a identidade da vítima resolveram matá-la, quanto uma ação criminosa dirigida contra a pessoa do prefeito. "Só vamos saber, quando as investigações avançarem mais". Como palpite,Tuma considera mais provável que não tenha sido um caso de sequestro para fins de resgate. Porque iriam dar tantos tiros se não era preciso?".Hoje à tarde, ele ouviu testemunhas na delegacia de Juquitiba. Além do caseiro, que encontrou o corpo, davam depoimentos, dois turistas que viram os veículos suspeitos e as pessoas que afirmaram ter ouvido tiros. Às 16 horas, um helicóptero da Polícia Civil começou as buscas na tentativa de localizar na região, veículos abandonados. O delegado não considerou estranho o fato dos autores do crime terem se afastado tanto do local do sequestro para executar a vítima. Segundo ele, os criminosos provavelmente procuraram rotas menos policiadas. "A BR-116 não tem pedágios", observou.Tuma Júnior ainda não sabia se continuará à frente das investigações ou se o caso passará a ser investigado pela Delegacia de Homicídios da capital. O delegado está incubido do caso referente ao atentado a bomba sofrido pelo prefeito de Embu, Geraldo da Cruz (PT), no dia 28 de novembro último. Ele contou que as investigações sobre o atentado estão avançadas e caminham na direção de um crime político. Tuma Júnior revelou que há indícios de envolvimento de um grupo denominado Farb na ação.

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