Eduardo Kattah/Estadão
Eduardo Kattah/Estadão

Cinco Estados e Distrito Federal sentem terremoto da Bolívia

Prédios na região da Avenida Paulista foram evacuados; especialistas afirmam que não há riscos

O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 11h40
Atualizado 02 Abril 2018 | 22h58

BELO HORIZONTE, BRASÍLIA, CURITIBA, SÃO PAULO E SOROCABA - Um tremor de terra na Bolívia, na manhã desta segunda-feira, 2, foi sentido em Estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil - São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, além do Distrito Federal. Em São Paulo, levou prédios na Avenida Paulista a acionar procedimentos de evacuação. Apesar do susto, não houve danos ou feridos.

O fenômeno aconteceu por volta das 9h40, horário local na cidade de Carandayti, no sul da Bolívia, e atingiu 6,8 pontos na escala Richter (que vai até 9), segundo o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Especialistas explicaram que a profundidade do tremor, a 557 quilômetros abaixo da superfície, é um ponto-chave para entender a grande distância percorrida até ser sentida em solo brasileiro, a mais de 1,5 mil quilômetros do epicentro. 

De acordo com o especialista em Sismologia Lucas Vieira de Barros, professor do Laboratório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), o fato traz poucos riscos para o Brasil. “Quando um terremoto de grande magnitude é muito profundo, ele de fato pode ter efeito a longa distância. Mas são apenas reflexos, que podem ser sentidos nos andares superiores dos prédios mais altos. Com um epicentro tão distante e profundo, mesmo terremotos muito fortes não têm energia para causar danos em estruturas no Brasil.”

Pela manhã, centenas de pessoas eram vistas na frente de prédios evacuados na Avenida Paulista, na região central - um dos pontos mais altos da cidade. O prédio da Petrobrás, no número 901 da via, foi evacuado após os funcionários que trabalham do 11.º ao 19.º andar sentirem os tremores. Segundo o segurança Jackson Carlos da Conceição, as pessoas relataram que o tremor durou 30 segundos. “Elas viram portas e objetos balançarem, disseram ter sentido como se estivessem tontas.” 

O editor de fotografia Marcelo Ferrelli, de 40 anos, estava no 12.º andar do prédio da TV Gazeta quando sentiu o tremor. “Eu estava em pé e deu uma vertigem, uma sensação de baixar a pressão. Todo mundo começou a perguntar e a gente reparou os fios da TV balançando. Tremeu, diminuiu e tremeu de novo e outra vez. Foram três vezes em um período de cinco minutos.”

Em Marília (SP), cerca de 250 funcionários que estavam no prédio da prefeitura deixaram o edifício às pressas. O tremor também foi sentido em Ribeirão Preto, Assis e Bauru.

Brasil

Na capital federal, o Ministério da Educação foi esvaziado depois de servidores relatarem ter sentido o prédio temer. Seguranças fizeram vistoria no local e, às 13 horas, o prédio foi liberado. Funcionários voltaram a trabalhar normalmente. “As pessoas estão solicitando avaliações estruturais sobre os edifícios. Até o momento, nenhum caso com vítima nem com rachaduras foi registrado”, informou o capitão Ronaldo Reis, dos Bombeiros.

Em Maringá, no interior do Paraná, a população também se assustou. O agente da Defesa Civil Marcos Silva disse que as pessoas entraram em contato, mas não indicaram nenhuma situação extrema. “Nós averiguamos seis locais que não precisaram de interdições, mas que inspiraram cuidados”, comentou. Os mesmos reflexos foram sentidos em Cascavel e em Londrina. / FÁBIO DE CASTRO, FELIPE RESK, JOSÉ MARIA TOMAZELA, ISABELA PALHARES, PAULA FELIX, RENATA OKUMURA E SANDRA MANFRINI, O ESTADO DE S. PAULO, LEONARDO AUGUSTO E JÚLIO CÉSAR LIMA, ESPECIAIS PARA O ESTADO

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