Moradores de viadutos vão para casas alugadas em SP

Os caminhões da Administração Regional de Santo Amaro pararam logo cedo sob o Viaduto Bandeirantes, na zona sul de São Paulo. As 12 famílias que viviam ali já preparavam a mudança para casas alugadas pela Prefeitura. Além das assistentes sociais, a administração mandou uma equipe da produtora VBC para registrar, em vídeo, a solução para a ocupação de viadutos. Uma das moradoras até vestiu uma camisa de campanha da prefeita Marta Suplicy (PT). Um ônibus levou todos até as casas novas. Mas quando o comboio chegou à estreita Rua Terra de Portugalense, no Jardim Irene, Edson de Jesus Silva e Deolinda Inácio reclamaram, aos berros, do local.O sobrado é aparentemente um dos melhores da vizinhança. Custará R$ 6 mil por ano aos cofres públicos. Mas os dois reclamaram de entulho no quintal, do chão sujo e da região. "Volto para baixo do viaduto", ameaçou Deolinda. "Não gostei do pessoal encarando."O ?pessoal? eram os moradores dali. Curiosos com a movimentação, se aproximaram e reagiram às queixas. "Vai morar no Morumbi, então", dizia um. "Esse pessoal devia chegar pisando mais macio", comentava outro. O casal acabou concordando em ficar pelo menos uma noite. Amanhã, os técnicos prometem voltar para apresentar opções à família.A Regional planejara levar os sem-teto para conhecer as casas antes. Mas uma imobiliária cancelou os contratos ao saber que os inquilinos eram moradores de rua. A escolha acabou sendo feita às pressas. "É difícil achar por esse preço", disse a assessora de gabinete da Regional, Cristiane de Castro.Hoje, a Prefeitura levou 87 pessoas dos Viadutos Antártica, Carrão e Bandeirantes para casas e hotéis. À tarde, assessores comemoravam o êxito do programa e argumentavam que o caso de Silva e Deolinda era uma exceção. Josefa de Nascimento Silva, de fato, estava feliz. Aos 17 anos, grávida, sem nunca ter morado em casa de alvenaria, achou tudo ótimo. Iniciou o pré-natal e planejava como manter o trabalho de catadora de papel. "A carroça vai ficar em outro viaduto, e a gente vai continuar trabalhando."Com acompanhamento médico, há pouca possibilidade de seu filho nascer como o de Edivania Oliveira, de 18 anos. O parto de Pamela, hoje com 7 meses, foi sob o viaduto. Policiais militares a levaram para o hospital depois. Hoje, com Pamela nos braços, ela comemorava a casa nova.Nos viadutos, operários puseram grades para evitar que outros fizessem do vão sua casa.

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