Moradores denunciam violência policial em bairros de SP

Moradores e entidades de Direitos Humanos dos bairros de Sapopemba e Vila Prudente, em São Paulo, denunciaram nesta quinta-feira, em depoimentos na Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, uma escalada da violência policial na periferia da capital. Segundo informações da comissão, há também acusações contra a ação da polícia nas cidades de Cotia, Presidente Epitácio e Campinas.Valdênia Paulino, do Centro de Direitos Humanos de Sapopemba, denunciou o envolvimento de policiais com o "tráfico de drogas e de roubar os bens das famílias". Ela pediu à comissão a instalação de uma CPI para apurar qual é o critério da polícia para distribuir os policiais na periferia. Vadênia disse ainda que "os jovens dessas localidades chegam a ter dificuldades de arranjar empregos".O ex-ouvidor da polícia, Fermino Fecchio, apresentou uma série de casos ocorridos nos últimos dois anos de chacinas, execuções sumárias e de grupos de extermínio em diversas cidades do Estado. "Sempre que denúncias dessa natureza são feitas, as autoridades reagem como se estivéssemos exagerando."O atual ouvidor, Itajiba Farias Cravo, disse que já acompanha os casos de Sapopemba e que designará o acompanhamento de caso de violência policial na Vila Prudente. Para ele, os meios de comunicação também contribuiem para o aumento da violência. "A mídia, quando aborda a questão, ou recorre ao sensacionalismo ou se debruça de forma isolada sobre determinados casos", afirmou. O promotor Carlos Cardoso prometeu investigar as denúncias e disse que o combate à criminalidade deve ser feito dentro da lei. "Constatamos, com a quantidade de relatos que nos chegam, que está havendo um recrudescimento da violência ilegítima e ilegal por parte de policiais", afirmou. Segundo ele, para acabar com a banda podre da polícia é necessária uma ação organizada da sociedade. Os integrantes da comissão disseram que o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, visitará Sapopemba na semana que vem para ouvir os relatos de moradores e de entidades. Em seguida, o secretário deve se encontrar com o governador Geraldo Alckmin.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2003 | 20h47

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