Moradores do Complexo do Alemão ainda estão sem água e sem luz

Segundo Bope, ainda há regiões onde bandidos oferecem resistência e há troca de tiros; quem entra ou sai da comunidade, assim como motos e carros, são revistados

Agência Brasil,

29 Novembro 2010 | 16h04

SÃO PAULO - Apesar do clima de aparente tranquilidade, a polícia continua realizando nesta segunda-feira, 29, uma cuidadosa operação de varredura nas casas dos moradores do Complexo do Alemão, na Penha, zona norte do Rio. O comandante-geral da Polícia Militar , coronel Mário Sérgio Duarte, afirmou que, mesmo após a tomada do território, as buscas aos traficantes devem durar mais alguns dias, talvez meses. Em algumas áreas da comunidade, as casas e o comércio ainda estão sem água e sem luz.

 

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O relações públicas do Batalhão de Operações Especiais (Bope), capitão Ivan Blaz, afirmou que ainda há regiões onde os bandidos estão oferecendo resistência e há troca de tiros. Ele disse que participou de diversas buscas durante a manhã e está retornando para o Complexo da Penha (vizinho ao conjunto de favelas do Alemão), onde moradores fizeram denúncias de que existem traficantes escondidos.

 

"Esse é o poder que a população do Rio de Janeiro tem de querer vencer o tráfico de drogas. A população já está cansada dessa criminalidade e dessa violência gratuita e está colaborando com as forças de segurança para que possamos derrotar, de uma vez por todas, o poder do tráfico de drogas", afirmou Blaz.

 

As equipes da prefeitura do Rio estão limpando, gradativamente, as vielas e ruas do Alemão. Moradores relataram que a polícia está limitando a coleta, para checar se há entorpecentes ou armas descartadas ou escondidas no meio dos resíduos.

 

Muito lixo orgânico se acumula nas portas das casas, provocando mau cheiro. Além de atrair insetos, a aglomeração de resíduos dificulta a passagem das pessoas que tentam retomar a rotina na comunidade.

 

Alguns moradores se queixam de que estão tendo de jogar fora a comida que estragou na geladeira, já que, desde sábado, 27, grande parte do conjunto de favelas do Alemão está sem energia elétrica.

 

Pai de duas meninas de 13 e 14 anos e de um bebê de 5 meses, o morador Alessandro Ferreira, 32 anos, conta que, devido à ocupação da favela, teve de faltar ao trabalho por dois dias. Ferreira disse que o chefe dele exigiu que não falte mais, porque a polícia anunciou que o território já foi completamente ocupado. O pintor deixou de trabalhar na manhã de hoje para tentar providenciar água. "A gente quer ver se o fornecimento de água e de luz melhora, para que a gente volte a ter a nossa vida normal. Assim está difícil", reclamou.

 

Segundo ele, a situação é pior à noite, por causa do calor. Os moradores também sofrem com a falta de luz desde sábado.

 

Em nota, a Light, concessionária de energia elétrica, informa que os técnicos continuam trabalhando para restabelecer completamente o fornecimento de energia em algumas localidades do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, "mas seguindo as orientações da Secretaria Estadual de Segurança do Rio de Janeiro".

 

Moradores que entram na comunidade e deixam o local, assim como motos e carros, continuam sendo revistados. A Polícia Civil fez na manhã de hoje mais apreensões na localidade. Foram apreendidos 45 kg de maconha, 1 kg de crack, balanças de precisão, máquinas caça-níqueis e motocicletas.

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