Prefeitura de Araraquara
Prefeitura de Araraquara

Moradores do interior de SP sofrem com consequências das tempestades de areia

Araraquara e outras cidades contabilizam estragos após o vendaval; cinco pessoas morreram no Estado

Everton Sylvestre, especial para o Estadão

05 de outubro de 2021 | 05h00

ARARAQUARA – Mais uma vez, muita terra ficou espalhada pelas casas e quintais depois que a tempestade de areia passou por Araraquara, no centro do Estado, na tarde de domingo, 3. Moradores relatam que foi ainda pior do que dois dias antes. Os ventos de mais de 100 km/h destelharam casas e mais de 40 árvores caíram na cidade. O fenômeno, conhecido como haboob, já havia atingido Araraquara e outros municípios na sexta-feira, 1.º, quando provocou cinco mortes no interior paulista. No domingo, 26 de setembro, atingiu o nordeste do estado: Franca ficou encoberta pela poeira; em Ribeirão Preto, a tempestade deslocou um avião e derrubou aproximadamente 60 árvores, estima a prefeitura.

Na segunda-feira, 4, nas lojas de materiais de construção o diferencial estava na procura por telhas e lonas. Richard Zagui, gerente em uma loja, relata que a casa dele, no bairro Boa Vista 3, também sofreu com as consequências do vento. “Moro em Araraquara há 15 anos e nunca vi algo assim em toda minha vida”, afirma sobre a forma e intensidade da tempestade de areia. Ele conta que também já morou em Ribeirão Preto e em área rural. “Na minha casa, pelo menos, foram só algumas telhas e eu mesmo reparei, mas ficamos sem energia elétrica até de madrugada”, diz.

Segundo a Defesa Civil de Araraquara, os ventos duraram entre 20 e 30 minutos e, depois da nuvem de poeira, no ponto da cidade com maior índice de chuva foram registrados 9 milímetros. Na segunda-feira, equipes da prefeitura e do Corpo de Bombeiros ainda trabalhavam cortando as aproximadamente 40 árvores que caíram pelas ruas da cidade. Várias amanheceram sobre as ruas. Parte da cidade ficou sem energia elétrica até de madrugada. Foram registradas quedas de fiação elétrica e de postes de iluminação, quedas de outdoors e de coberturas comerciais.

A prefeitura informou que uma escola municipal sofreu danos. “As aulas presenciais foram suspensas e os alunos permanecerão em aula remota”, disse em nota. A escola, entregue no ano passado, deve passar por reparos emergenciais.

Em Ribeirão Preto, segundo a prefeitura, não houve muitos danos no domingo, 3, e a chuva provocou a queda de uma árvore. Em São Carlos, segundo a prefeitura, também foi registrada a queda de uma árvore. Árvores também caíram em Jaú, Ibitinga e Borborema; na cidade houve instabilidade com telefonia e falta de água em função da queda da energia.

Motoristas enfrentam dificuldades

A falta de visibilidade surpreendeu pessoas que transitavam pelas pistas da região. No centro-oeste do Estado, na rodovia SP 304, Leonidas Pacheco Ferreira, no trecho que liga Ibitinga a Borborema, motoristas precisaram parar os carros enquanto a mistura de poeira com fuligem encobria a pista. “Foi de repente, não sabia mais nem onde a gente estava, se era na pista ou no meio do mato. Era algo que nunca vi na minha vida. Me sentia dentro de um filme de terror”, relata a costureira Ivete de Lourdes Gonçalves, 61 anos.

No volante, o filho dela, o vendedor Júlio Cesar Gonçalves, 20 anos, parou o carro no acostamento por alguns minutos. "A gente tinha acabado de sair da nuvem de poeira, em que não se enxergava nada a um palmo. Havia carros parados e pessoas sinalizando porque logo à frente estava pegando fogo. Eu e outros motoristas paramos. Um caminhão não conseguiu parar e sumiu no meio do fogo", conta Júlio. “Apesar de buscar aparentar calma, Júlio relata: "nunca passei tanto medo na minha vida".

Responsável pela administração de rodovias naquela região, o Departamento de Estrada de Rodagem (DER) informou que não identificou registros de atendimentos em função dessas ocorrências climáticas.

Também por volta das 16h do domingo, a 140 km dali, outra nuvem de poeira surpreendia o autônomo Otonyel Batista, 34. "Foi assustador. Nunca peguei uma situação assim na pista", relata. Ele enfrentou a tempestade de areia na  Rodovia Engenheiro Thales de Lorena Peixoto Júnior, SP 318, em São Carlos. Batista, que ia da cidade para a zona rural, regressou até a sede de uma empresa, onde havia outros carros parados, esperou a nuvem passar e depois retomou seu trajeto. A rodovia é administrada pela Via Paulista.

A concessionária Arteris Via Paulista, que administra rodovias da região central e nordeste paulista, informou que realiza a Operação Visibilidade quando ocorrem condições climáticas que geram má visibilidade na pista. Essa operação foi adotada na sexta-feira, 1.º, em Américo Brasiliense, na SP 255, que liga Araraquara a Ribeirão Preto. No dia 26, em que a tempestade de areia atingiu as cidades de Franca e Ribeirão Preto, a concessionária adotou a medida na SP 344, no km 357, em Batatais, e no km 374, em Restinga.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.