Moradores do Pelourinho criam associação

Cansados de aguardar a ajuda do Instituto do Patrimônio Artístico Histórico Nacional (Iphan) e do Instituto do Patrimônio Artístico do Estado da Bahia (Ipac) um grupo de moradores do centro histórico de Salvador fundou a Associação dos Proprietários de Bens Tombados (Apito) para defender seus direitos, cobrar ações efetivas dos órgãos e lutar pela preservação dos monumentos históricos da capital baiana.O movimento pensa até em desfechar uma ampla campanha para retirar da condição de "tombados" seus imóveis históricos, como defende o frade Lucas Dolle, guardião do Convento de São Francisco que, ao ser processado pelo Iphan por ter realizado obras não-autorizadas no monumento, decidiu entrar com uma ação contra o instituto, que não teria realizado reformas no telhado da biblioteca do convento, o que provocou infiltrações, danificando vários livros raros.Frei Lucas é um dos fundadores da Apito, que já conta com 25 membros, entre os quais os frades carmelitas Antônio Silvio e Martinho Cortez, o advogado Marcelo Falcon, membro da Ordem Terceira do Carmo e o marchand, crítico de arte e cronista francês Dimitri Ganzelvith, radicado em Salvador há 27 anos. A sugestiva sigla Apito quer dar exatamente a idéia da insatisfação dos moradores com a situação. Eles se vêem obrigados a aceitar "decisões de burocratas obtusos" que, conforme dizem, às vezes são extremamente prejudiciais aos seus interesses. Dimitri, dono de uma galeria de arte no Pelourinho, é um dos ativistas mais radicais do grupo. Ele já solicitou ao Ministério Público Estadual a instauração de duas ações públicas contra o Ipac. A primeira devido à instalação de mangueiras de luz na fachada da Igreja de São Francisco, no final do ano passado, como decoração natalina, que teria provocado danos nas pedras de arenito e azulejos do monumento; a segunda devido a retirada, há sete anos, pelo Ipac, de uma imagem de Nossa Senhora do nicho existente na Cruz do Pascoal, monumento tombado situado no Bairro de Santo Antonio, no centro histórico. "Nos parece que as iniciativas dos órgãos de preservação são insuficientes para o rico acervo histórico baiano", disse, lembrando que por exemplo, as igrejas do Passo e do Pilar, dois importantes monumentos do século XVIII, tombadas pelo Iphan, estão extremamente castigadas pelo tempo, correndo risco de desabar e não merecem a atenção dos mentores do patrimônio. Dimitri, que realizou um amplo estudo sobre a Igreja e o Convento de São Francisco, encomendado pela Fundação Moinho Santista, disse achar que somente quando os moradores do centro histórico se unirem, tomarem conhecimento dos seus direitos e deveres será possível obter o respeito dos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio histórico baiano.

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