Moradores enfrentam PM em Heliópolis

Confronto começou após perseguição a motoqueiro; 2 policiais tiveram algemas confiscadas

José Dacauaziliquá e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

09 Julho 2009 | 00h00

Moradores de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, cercaram ontem à noite dois PMs, que haviam entrado no local à procura de um jovem, e confiscaram as chaves da moto de um deles, um capacete e um par de algemas, segundo a Polícia Militar. Momentos antes, uma menina de 8 anos havia sido ferida por um disparo feito durante a tentativa de abordagem do rapaz. Por volta das 19 horas, segundo a Polícia Militar, dois policiais das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) desconfiaram de um rapaz que estava em uma moto na Rua Alegria Popular. Eles perseguiram o suspeito, que resistiu à abordagem, e, ao entrar na favela, de acordo com a PM, foram recebidos a tiros.De acordo com a corporação, a moto de um dos policiais foi derrubada. Os objetos pegos dos PMs foram devolvidos pelo líder comunitário José Geraldo de Paula, da União de Núcleos, Associações e Sociedades dos Moradores de Heliópolis e São João Clímaco (Unas), às 22h50, após negociação. Homens da Força Tática e das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), que até então cercavam Heliópolis, se retiraram do local.A versão da PM, no entanto, é contestada por uma testemunha, segundo a qual, ao entrar na favela, os policiais se dividiram. Um deles, ao abordar o rapaz na moto, teria sacado a arma e atirado, sem que o suspeito esboçasse reação. De acordo com essa testemunha, os tiros dados pelo PM acertaram o portão de uma casa e Tainá Costa Alves, de 8 anos.Segundo o pai da menina, o projetista Genivaldo Antônio Alves, de 27 anos, ela tinha ido à casa de uma vizinha para buscar uma blusa. "A Tainá disse que ouviu a confusão e correu para nossa casa. Daí, só viu o farol da moto, sentiu o ferimento e percebeu que estava sangrando", conta ele. A menina foi levada por uma conselheira tutelar ao Hospital de Heliópolis. Ontem à noite, ela estava consciente e não corria risco de morte, de acordo com a família. O rapaz que era perseguido pela polícia fugiu. Moradores dizem que ele também teria sido baleado. "Ele dirigia a moto sem capacete, mas foi só. Agora infração de trânsito se combate com balas? É um absurdo", disse o líder comunitário José Geraldo. "Semana passada, duas pessoas foram mortas numa quermesse da comunidade. Agora, mais baleados. Isso aqui parece cidade sem lei."No auge da confusão, os moradores prometiam fechar a Estrada das Lágrimas, em protesto contra a violência policial, mas a manifestação acabou não ocorrendo.

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