Moradores protestam e fazem quebra-quebra

Cerca de 300 pessoas compareceram ontem ao sepultamento do estudante Marcos Paulo da Silva Correia, de 17 anos, e dos pedreiros Wellington Gonzaga Costa, de 19, e David Wilson da Silva, de 24, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul, e em seguida protestaram na frente do Comando Militar do Leste, na Central do Brasil, próximo da entrada do Morro da Providência. Entre eles, estavam os 75 moradores que trabalham no projeto Cimento Social na Providência - onde o comércio fechou as portas e o atendimento no Hospital dos Servidores do Estado teve de ser suspenso. Por volta das 17h30, uma tropa de 50 militares postou-se na frente do Palácio Duque de Caxias, para esperar os moradores do morro - que chegaram ao local em oito ônibus. Os manifestantes, exaltados, surgiram meia hora depois, aos gritos de "Justiça!".Os moradores atiraram pedras, tampas de bueiro, cartazes e coroas de flores em cima dos militares, além de quebrar carros que estavam estacionados na frente do Comando. Os soldados responderam com bombas de efeito moral e gás de pimenta e dispersaram a multidão. A Polícia Militar foi chamada, mas só acompanhou o conflito a distância.Irmão de Marcos Correia, Dinaldo Barbosa afirmou que a comunidade não vai permitir a permanência do Exército no morro. "Enquanto eles estiverem lá não vai ter obra, só problema e quebra-quebra." Desde o início do ano, cerca de 250 militares permanecem no local para fazer a segurança da equipe técnica de engenheiros do Exército que reforma 780 fachadas da comunidade. "Ninguém confia mais nesse batalhão. Estamos sob toque de recolher a partir de 22 horas", reclamou o encarregado da obra Alex Oliveira dos Santos, de 32 anos. O Comando informou que manterá todas as atividades normalmente.

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