Moradores reclamam e lojistas vêem oportunidade

Rachaduras e sujeira estão entre os problemas

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2008 | 00h00

Na área da Represa Billings que separa São Paulo e São Bernardo, a paisagem dos bairros que ficavam "no meio do mato", como lembram moradores, muda rapidamente. Desde que começaram as obras do Rodoanel Sul, 16 retroescavadeiras e cerca de 100 basculantes trabalham dia e noite para finalizar as duas pontes que cruzarão o manancial. Cada uma, com 1.755 metros de extensão, é sustentada por 16 blocos de concreto - na construção de um bloco são usados entre 500 m³ e 700 m³ de concreto, o suficiente para erguer um edifício de 12 andares. São cerca de 1.400 operários, trabalhando diretamente na área.Para moradores dos arredores da obra, os impactos sentidos são o barulho e a velocidade dos caminhões que circulam por Jardim Represa, Parque Los Angeles e Nova Canaã, e as rachaduras nas casas. Em um ano e meio, a paisagem do quintal de Márcia Katsumi, de 38 anos, mudou. Antes, os visitantes eram macacos, raposas, gambás e cobras. Hoje, o que mais entra na casa é barulho e poeira. "Preferia os bichos. Não dá para agüentar o barulho e a tremedeira da obra", afirma a moradora do bairro Nova Canaã, em São Bernardo. "Pior vai ficar depois, quando abrir o Rodoanel. A tremedeira vai piorar, com tanto caminhão." Sua casa ficará a 80 metros da pista principal de uma das pontes sobre a Represa Billings."Todo dia tem tremedeira", reclama Maria Azimovas, de 53 anos. Há três meses, ela notou a primeira rachadura, de dois metros, acima da porta da cozinha. "O medo é que piore e tenha de me mudar", afirma. Entre comerciantes, o Rodoanel é visto como forma de valorizar a área. "A gente ficava escondido e agora vai ter uma oportunidade", diz José Martorazzi, dono de uma padaria na Estrada Galvão Bueno que está sendo duplicada para servir de via de acesso ao Rodoanel. "Penso em ampliar o negócio."Para os engenheiros da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), empresa responsável pela obra, reclamações dos moradores não são novidade. "Foram cerca de 700, 90% falando de rachaduras", diz o engenheiro William Hermógenes Leite, responsável pela fiscalização. Segundo ele, cada caso é atendido individualmente. "Quando há rachaduras, comparecemos ao local para verificar a gravidade. Caso necessário, o Estado paga a reforma, após processo licitatório que demora de três a quatro meses", explica. "Mas é preciso comunicar nossa central móvel (uma Kombi com logotipo da Dersa), que circula pelo bairro."A comunidade também pleiteia melhorias nos bairros. "Deve haver uma contrapartida para o transtorno", diz Evaldo Pereira, presidente da Sociedade Amigos do Parque Los Angeles. "Uma área de lazer ou escola técnica podem ser boas idéias."

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