Wilton Júnior/AE
Wilton Júnior/AE

Moradores são feitos reféns em prédio de Copacabana

Ladrões usaram uniforme de entrega para conseguir entrar no edifício e ameaçaram cortar os dedos dos reféns

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo,

29 de setembro de 2009 | 11h03

Três homens armados com pistolas usaram uniformes da Companhia Estadual de Gás (CEG) para entrar no prédio onde fizeram um arrastão em Copacabana, na zona sul do Rio, na manhã desta terça-feira, 29. "Ameaçaram cortar nossos dedos, mas depois que nos trancaram eles saíram do apartamento para vasculhar o prédio", contou a dona de casa Ruth Salgado . Os moradores demoraram a chamar a polícia, pois não sabiam se os assaltantes estavam no edifício ou já tinham fugido.

 

Cinco apartamentos foram roubados no prédio de 7 andares na Rua Francisco Otaviano. Um dos criminosos convenceu o porteiro ao abrir a porta, pois estava vestido com o uniforme da CEG. De acordo com os moradores do Condomínio Solar da Praia, os bandidos fugiram levando joias, dinheiro, celulares e aparelhos eletrônicos.

 

De acordo com os moradores, por volta das 7h45m, após se fingir ser um funcionário da CEG, o bandido entrou no prédio com os comparsas. Eles renderam os moradores que saíam para o trabalho. As vítimas eram colocadas em um quarto de serviço. Dezoito moradores e cinco funcionários foram rendidos. Como faltou espaço, os assaltantes levaram os 23 reféns para o apartamento 101 no primeiro andar. As pessoas foram colocadas no banheiro e num quarto.

 

Moradores ficaram presos em apartamento

 

"Estávamos trancados. Não sabíamos o que estava acontecendo e ficamos com medo de gritar para alguém na rua com os assaltantes ainda no local", disse o engenheiro Elias Mansur, de 55 anos, o dono do apartamento que abrigou os reféns. Segundo ele, esta foi a primeira vez que o condomínio foi assaltado.

 

Após o assalto, uma informação de que os bandidos teriam se refugiado novamente no prédio após avistar uma patrulha, fez a polícia isolar a área. O parque Garota de Ipanema, que fica em frente ao edifício, ficou fechado ao público. O tráfego foi interrompido na rua por 40 minutos. Policiais vistoriaram todo o prédio e as coberturas vizinhas, mas nada encontraram. Uma equipe do Batalhão de Operações Especiais (Bope) também foi acionada e não encontrou ninguém.

 

Granada

 

Cinco homens armados, um deles com uma granada, assaltaram na noite de segunda-feira o restaurante Le Bleu Noir, em Copacabana, na zona sul do Rio. Em uma semana, este foi o segundo assalto em que um artefato explosivo foi utilizado para intimidar as vítimas. Na sexta-feira, um assaltante com uma granada foi morto por um atirador de elite após fazer como refém a dona de uma farmácia, na Tijuca, na zona norte. Na ação de anteontem, foram roubados carteiras, bolsas, celulares, dinheiro e garrafas de vinho do estabelecimento especializado em crepes. Este foi o segundo assalto ao restaurante em menos de um mês. As câmeras de vídeo da loja podem ajudar a polícia a identificar o bando.

 

3 assaltos em 30 dias

 

Este foi o terceiro assalto em 30 dias a um prédio na zona sul. No mesmo bairro, moradores de um edifício na Rua Assis Brasil, também em Copacabana, ficaram cinco horas como reféns dos assaltantes, que se renderam após o cerco da polícia. No mês passado, um assalto semelhante ocorreu no condomínio Golden Coast, na Avenida Delfim Moreira, na orla do Leblon, mas os bandidos fugiram.

 

O comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar do Leblon, coronel Sérgio Alexandre Rodrigues Nascimento, disse não acreditar que uma quadrilha especializada esteja agindo na região. "Um dos criminosos perguntou por um morador. Isto indica a ação foi planejada e não foi uma ação aleatória de uma quadrilha agindo na zona sul", declarou o coronel.

 

Texto alterado às 16h58 para acréscimo de informações.

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