Moradores Sapopemba se mobilizam contra aterro sanitário

Os moradores de Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, estão mobilizados para impedir a construção de um novo aterro sanitário no bairro. A comunidade garante que há 14 anos já convive com o aterro Sítio São João. E que agora é o momento de a Prefeitura e a EcoUrbis Ambiental, que administra o local, encontrarem outra área fora da região para o novo empreendimento.O São João, que tem 824 mil m2 e recebe 6 mil toneladas de lixo por dia, terá as atividades encerradas no fim de 2007. Mas a EcoUrbis pretende instalar o novo aterro na área que fica na frente ao antigo, e que já foi desapropriada pela Prefeitura. O local é de mata e faz divisa com o município de Mauá, na região do Grande ABC."Quando construíram o aterro sanitário São João, nos foi prometido que, em compensação, teríamos melhorias no bairro. Só que fomos enganados e as melhorias nunca vieram", reclama Décio José de Lima, da Associação Maranatha, que atua na área. Segundo ele, entre as promessas feitas pelas administrações anteriores estavam a duplicação da Estrada de Sapopemba, onde se localiza o aterro, a construção de postos de saúde, creches, escolas e pavimentação de ruas.Hoje, a região da Terceira Divisão, onde moram cerca de 90 mil pessoas, e que fica perto do aterro, é formada por um amontoado de bairros que sobrevive sem as mínimas condições de infra-estrutura e raros equipamentos sociais. Alguns deles são totalmente desprovidos de atendimento do poder público.José Maria Gomes da Silva, também líder comunitário da região, diz que, além de não ter trazido benfeitorias para os vizinhos, o aterro tornou-se um transtorno na vida deles. "Nos dias quentes, o cheiro é insuportável", diz Silva. "Os caminhões descarregam dia e noite no aterro e provocam barulho, congestionamento e rachaduras nas casas próximas." Em horários de pico há filas de caminhões na estrada esburacada.De acordo com os líderes, o aterro também já causou problemas quando foi descoberto que carcaças de animais vindas do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) estavam sendo despejadas sem respeitar as normas técnicas. O processo chegou a tramitar na Justiça."A comunidade já fez a sua parte convivendo com o aterro. Agora, cabe ao poder público encontrar uma outra área longe daqui e isso não é problema nosso. Não é justo sermos penalizados novamente", ponderou Décio.Outra reclamação da comunidade é que as audiências públicas para discutir a instalação do novo aterro não estão sendo feitas no bairro . "As decisões estão sendo tomadas sem a nossa participação", reclamou José Maria.Diante desse quadro, as lideranças de todos os bairros da região estão organizando um protesto para os próximos dias. A idéia é fechar o acesso da Estrada de Sapopemba e não permitir a entrada ou saída dos caminhões.A EcoUrbis confirmou a instalação do novo aterro e garantiu que todas as licenças necessárias para o funcionamento estão sendo cumpridas. A empresa enfatizou que futuro aterro é "sério" e que seguirá todas as legislações ambientais e não irá desrespeitar a comunidade local. Também garantiu que nunca recebeu reclamações dos moradores e que está "de portas abertas" para receber a população tanto no aterro atual como para discutir sobre o novo empreendimento.Desde 2004, a EcoUrbis tem a concessão do aterro São João, que pertence à Prefeitura. Ali, segundo a empresa, são tomados todos os cuidados com a higiene. O chorume, por exemplo, líquido escuro que escorre do lixo, é captado e levado para ser drenado na estação de tratamento da Cetesb.AterroO aterro São João recebe lixo das regiões Sul e Leste São de 6 mil a 7 mil toneladas de lixo por dia.Os resíduos sólidos recebidos são colocados em montes, formando uma camada de 5 metros de lixo coberta por 60 centímetros de terra.

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