Washington Alves/Reuters
Washington Alves/Reuters

Moradores se dividem entre deixar casa e permanecer em Brumadinho

Parte questiona necessidade da retirada, por causa do risco de uma nova barragem se romper, desta vez com água; outros tiveram ajuda de parentes para sair da região

Renata Batista, ENVIADA ESPECIAL/BRUMADINHO

27 de janeiro de 2019 | 14h08

Com a  falta de informações, o risco de rompimento da barragem 6 e as condições climáticas que dificultam os resgates, os moradores de Córrego do Feijão, localidade mais próxima da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, que se rompeu na sexta-feira, 25, estão apreensivos. Neste domingo, 27, por volta das 5 horas, moradores foram retirados de casa, inclusive com ajuda da Polícia Militar, por conta dos riscos de rompimento da segunda barragem.

Os moradores questionam a necessidade da retirada, e os que ficam se perguntam como vão retomar a rotina, já que estão sem água e telefone, o acesso mais usado foi destruído e um outro, que passa pela área da Vale, está fechado.

A moradora Sandra Gonçalves, de 40 ano, chegou a passar mal e foi atendida pelos socorristas e pela psicóloga Rozane Marques, que estava como voluntária no local. “A pressão dela foi a 16 por 10, e ela não tem problema de pressão. Além de ter sido retirada de casa, ela chorava pela prima que morreu no acidente da barragem. Era uma pessoa que dava suporte a ela e não está mais aqui”, contou a psicóloga.  

Retirado de casa pela polícia ainda na madrugada, Nelson José da Silva qualificou de covardia a iniciativa e diz que pretende ficar. Sua filha, que é enfermeira da Vale, desaparecida. Silva reclama que a tragédia destruiu a principal estrada de acesso à localidade, o que  vai impedir as pessoas de trabalharem a partir desta segunda-feira, 28, primeiro dia útil após o desastre. Silva diz que a Vale precisa abrir o outro acesso, que passa por dentro da área da empresa.

“É covardia da Vale. Não tem risco dessa barragem estourar e a quantidade de água que tem lá não oferece risco", afirma.

O aposentado Hélio Gonçalves Maia, de 74 anos, foi retirado de casa por volta das 5 horas, quando ainda estava escuro. A filha, Núbia Maia, mora em Conselheiro Lafayte, mas foi para Córrego com o marido e a filha de 2 anos para ajudar os pais. Ela usou o carro para tirar os pais e outros parentes após o alerta de risco de rompimento.

“A gente não esperava o que aconteceu, mas mesmo se a água subir, é um pouco difícil chegar lá em casa”, disse.

Apesar da dúvida, a maior parte dos moradores está acatando a determinação. Sirlei Gonçalves da Silva, que está com o marido, terceirizado da Vale, desaparecido, deixou própria casa com duas bolsas. “Eles mandaram pegar algumas coisas e disseram que vão levar a gente para algum lugar”, disse, chorando. “Não como há três dias."

As buscas continuam suspensas em Brumadinho. Com o risco de novo rompimento, a prioridade agora é evacuar as áreas. Algumas famílias se recusam a sair de suas casas."A gente chega no ponto de apoio, não tem nenhuma informação, ninguém fala nada. Preferi voltar para casa e ajudar vizinhos a procurar colegas desaparecidos", contou Rayane Passos. / COLABOROU LUAN SANTOS, ENVIADO ESPECIAL PARA O ESTADO

 

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