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Moradores tentam afastar dependentes com água e pedra

População da Rua Guaianases está cansada de conviver com usuários

Marici Capitelli, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

Com água e pedras, moradores e comerciantes da Rua Guaianases, no centro de São Paulo, estão atacando - e se defendendo de - usuários de drogas que tomaram conta da via. É como guerrilha urbana: de um lado a comunidade, que se sente acuada, e de outra os dependentes, cujo número não para de crescer. Eles são migrantes da cracolândia, onde a Prefeitura desenvolve o projeto Nova Luz. O Ministério Público Estadual já foi acionado.O presidente do Conselho Comunitário do Centro (Conseg), Antonio de Souza Neto, afirma que a população passou a reagir porque "não aguenta mais". Ele argumenta que os moradores perceberam que os viciados não são perigosos, mas pessoas doentes que precisam de tratamento. "A população procura os órgãos competentes, como Prefeitura e polícia, mas ouve como resposta que se trata de um problema social. Só que ninguém resolve. Estão nesse impasse há um ano." Para obrigar os drogados a sair da frente das construções, prédios e lojas jogam água neles com mangueiras. A reportagem flagrou a tática em uso três vezes numa única tarde.Um dos prédios da rua está implantando um sistema de canos na marquise, para jogar água quando viciados se aproximarem. Os condôminos estão copiando a ideia de um edifício vizinho, na Rua Conselheiro Nébias, onde a engenhoca funciona há uma semana. A engenheira da obra, Lane Alves, de 28 anos, disse que, antes da invenção, era difícil até mesmo entrar no prédio para trabalhar. Foram usados 40 metros de cano. "Não ficamos só na água. Já jogamos pedras e paus. Nos defendemos dessa bagunça que a polícia e a Prefeitura dizem que é um problema social", afirma a síndica. Há pouco tempo, um morador, da sacada, disparou tiros para o alto, na tentativa de intimidar os usuários de drogas e diminuir o barulho. Teve o apoio dos vizinhos. No terceiro domingo de maio e no segundo de junho, contam moradores, eles acionaram a PM por causa da confusão na rua. "Só que, quando uma viatura chegou, a multidão de desocupados era tão grande que eles cercaram os policiais", diz o zelador de outro prédio. A população viu a polícia acuada e desceu para ajudar. "Eu mesmo bati em alguns deles, não tenho medo, não aguento mais", diz um morador, que é engenheiro.O secretário municipal da Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, garante que em até 60 dias será implantado pela Subprefeitura da Sé um atendimento para os usuários de drogas. O serviço funcionará em um galpão perto da Praça Júlio Prestes e fará o encaminhamento para saúde e programas sociais. "Essa é uma situação de saúde pública e não um caso de polícia", diz.A Polícia Militar afirma que patrulha a área e que não pode prender pessoas "por perambularem pelas ruas", mas apenas se houver crime. De março até agora, foram apreendidas na região 59 g de maconha, 377 g de cocaína e 360 g de crack.

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