Moradores usam lombada como barreira em protesto

Prefeitura vai reforçar radares em Paraisópolis após manifestação por causa de atropelamento de menina

Andressa Zanandrea, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2008 | 00h00

Depois do protesto dos moradores da Favela Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, contra o grande número de acidentes que ocorrem na Rua Doutor Flávio Américo Maurano, a Prefeitura prometeu colocar duas lombadas na via. Na tarde de anteontem, Maria Cristina da Silva, de 9 anos, foi atropelada por uma moto, quando voltava da escola. Indignados com os constantes atropelamentos - esse foi o segundo na mesma semana -, os moradores atearam fogo em uma lombada eletrônica, pneus e pedaços de madeira, interditando a via.A manifestação ocorreu por volta de 21 horas de anteontem. Além do fogo, os moradores tiraram as duas lombadas eletrônicas e as usaram como barreiras. Dois carros e um ônibus que tentaram passar foram apedrejados, e um outro automóvel, incendiado. Houve confronto entre manifestantes e a polícia, que chegou a usar bombas de gás lacrimogêneo. Ninguém ficou ferido.A rua é movimentada, principalmente durante o dia, pois liga as avenidas Giovanni Gronchi e Morumbi. Asfaltada e íngreme, a pista tinha, até o protesto, uma lombada eletrônica com limite de velocidade de 40 quilômetros por hora. Mesmo assim, os acidentes eram comuns. Na segunda-feira, uma mulher de 73 anos e a neta, de 9, morreram atropeladas. O presidente da União de Moradores de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, disse que a instalação de lombadas nesse trecho é reivindicação antiga. Ontem pela manhã, moradores se reuniram com os subprefeitos do Campo Limpo e do Butantã e com representantes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para buscar soluções. Além da colocação de duas lombadas, a Prefeitura deve refazer a sinalização da rua e colocar faixas ou placas alertando para a travessia de pedestres. "Na segunda fase, vão ser feitos estudos para analisar se é possível colocar semáforos e faixas de pedestres", contou Rodrigues. Mudanças de mão nas entradas e saídas de Paraisópolis não estão descartadas. O secretário municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes, informou que os estudos têm de ser feitos antes de qualquer mudança. "Nossos técnicos estão analisando. Porque, às vezes, a população tem corretamente o sentimento que precisa alguma obra ou alteração, mas nós precisamos analisar se isso não vai gerar um problema lá na frente. A engenharia de tráfego é um pouco mais complexa do que as pessoas acham", disse o secretário, no evento em que a Prefeitura transferiu R$ 200 milhões para o Estado investir nas obras do Metrô. Ontem, a Rua Doutor Flávio Américo Maurano ficou tomada por PMs e agentes da CET. Funcionários das subprefeituras retiraram o material incendiado e lavaram a rua. O mato na Praça Moacyr, ao lado de Paraisópolis, foi cortado. A menina atropelada, que teve a perna quebrada, já estava em casa, ontem. COLABOROU CAMILLA RIGI

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