Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Moro diz que vai transferir líderes de facções responsáveis por massacre no Pará

Conflito deixou 58 mortos no Centro de Recuperação Regional de Altamira

Patrik Camporez, Mariana Haubert e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2019 | 16h13
Atualizado 02 de agosto de 2019 | 09h55

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O ministro da Justiça, Sérgio Moro, conversou nesta segunda-feira, 29, com o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), e se comprometeu a transferir para presídios federais líderes de facções criminosas responsáveis pelas mortes no Centro de Recuperação Regional (CRRALT), de Altamirane segunda. Na unidade, um ataque promovido por presos do Comando Classe A (CCA) contra integrantes do Comando Vermelho (CV) deixou ao menos 58 mortos, 16 deles decapitados

Segundo o Ministério da Justiça, Moro ligou para Barbalho para oferecer ajuda e faria uma reunião ainda nesta segunda para tratar do tema. Na tratativa, ficou definido que seriam reservadas dez vagas no sistema penitenciário federal, considerado de segurança máxima, para os líderes dos grupos envolvidos no motim, de acordo com o governo do Pará. 

Segundo o governo do Pará, dez dos 16 presos identificados como líderes de facções deverão ir para presídios federais. Outros 36 detentos deverão ser remanejados para unidades do Estado. 

A transferência de lideranças criminosas para unidades federais tem sido adotada com mais frequência desde o início do ano. Em fevereiro, chefes da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PPC), entre eles o principal líder, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, foram transferidos do sistema prisional de São Paulo para unidades da União. A mesma estratégia foi usada após rebelião em Manaus e ataques no Ceará.

Há cerca de um mês, o Pará transferiu 30 presos para unidades federais, após descobrir um plano de fuga em massa, que envolveria ao menos 400 detentos do Complexo de Americano, em Santa Izabel. Na ocasião, Moro destacou a ação em seu perfil no Twitter indicando que a transferência "desarticulou a organização criminosa e preveniu possível rebelião prisional". 

O ataque

O motim em Altamira começou às 7 horas, no momento da "destranca", em que é servido o café da manhã, e durou cerca de cinco horas. Segundo o superintendente do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), Jarbas Vasconcelos, presos do CCA, grupo criminoso que nasceu no Pará, teriam rendido agentes penitenciários e invadido a ala com detentos do rival CV. As facções disputam território dentro do presídio, segundo o governo.

Na sequência, os líderes do CCA colocaram fogo em uma cela onde estavam os rivais - a maior parte das vítimas teria morrido asfixiada. Nem todos os corpos foram removidos até o momento, uma vez que o presídio foi construído adaptado de contêineres e as instalações ainda estão aquecidas. 

Feitos de reféns, os agentes penitenciários foram liberados depois pelos presos. "O objetivo era mostrar que se tratava de um acerto de contas entre as duas facções, e não um protesto ou rebelião dirigido ao sistema prisional", disse Vasconcelos.

Por causa do massacre, a cúpula da segurança pública do Pará viajou para Altamira. Segundo o superintendente da Susipe, nenhum relatório da inteligência conseguiu antecipar o ataque. "Temos protocolos para a maioria dos casos, mas neste específico, não tínhamos informações", afirmou.

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